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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

VALÉRIE DE FRANCE

Abril 16, 2014

J.J. Faria Santos

Um divertido artigo de A.A. Gill para a Vanity Fair de Abril ( Liberté! Egalité! Fatigué! ) defende a tese do declínio da França. No espaço de uma geração, defende o autor, “evaporou-se” a importância da cultura francesa, desafiando-nos a nomear um filme francês contemporâneo que nos tenha agradado, um pintor vivo de relevo ou um escritor de prestígio, sem contar com Michel Houellebecq, que, alega ele, “os franceses detestam”. Taxativo e impiedoso, afirma: “Incapaz de mudar, aterrorizada pela inovação, a França transformou-se nos Bourbons, que notoriamente não esqueceram nada nem aprenderam nada”.

Gill considera que as circunstâncias do affair de Hollande com uma actriz são uma boa ilustração para este estado de decadência. Todos os envolvidos se comportaram, segundo ele, com “uma trágica ausência de elegância”. Troçando das visitas de Hollande à amante (deslocava-se numa espécie de “triciclo motorizado”, no lugar do passageiro, com uns sapatos “horríveis” e um “capacete gigante”), o autor conclui: “Não é exactamente um Alain Delon, pois não?”.

Ora sucede que, dedicando-me a essa tarefa arcaica que consiste em passar os olhos pelos jornais expostos no quiosque enquanto esperava pela minha vez de ser atendido, deparei com a capa de uma revista francesa onde ao lado de Valérie Trierweiler se encontrava quem? Pois, exactamente o Alain Delon! Valérie, de quem Gill diz que “foi admitida no hospital por causa de um coração despedaçado”, parece querer emergir do lamaçal da desordem conjugal acedendo a um outro patamar de glamour. Marc Fourny, no Le Point online , dando conta do desmentido do actor em relação a uma eventual ligação amorosa, nota que se trata de uma notícia que interessa aos dois: a Delon, porque o coloca no papel de, galantemente, socorrer uma amiga perturbada; a Trierweiler, porque a devolve à ribalta no momento em que uma sua rival, Ségolène Royal, regressa ao poder.

Valérie, cujo rosto parece estar sempre na iminência de convocar toda a fúria, vai lentamente aprendendo que o desabar da determinação é quase sempre um trampolim para a recuperação da posição. À cedência, à derrocada emocional, segue-se o retomar do fôlego.  Que nada permite imaginar que esteja condicionado por uma qualquer fraqueza. Principalmente, quando se é uma mulher de carácter. Ou, mais exactamente, como disse Delon, “une belle femme de caractère”.

 

 

 

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