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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

UM RACISTA NA CASA BRANCA

Julho 23, 2019

J.J. Faria Santos

Em face do inadmissível queremos seguir a doutrina Obama (de Michelle Obama), expressa na frase memorável “When they go low, we go high”. Ela explicou na altura ao New York Times que elevar o nível não implicava a inexistência de emoção ou sofrimento. O que era relevante era formular uma resposta que contivesse “uma solução” que não estivesse contaminada pela “raiva” e pela ânsia de “vingança”. Mas como não reagir com veemência e alguma destemperança perante a evidência de que o homem sem qualidades que dirige a Casa Branca é um impenitente racista? Que não só exibe um dos mais estúpidos preconceitos como o formula nos termos mais básicos possíveis, acicatando os mais reles instintos da turba. E ainda por cima falseando os pressupostos das suas declarações, ao recomendar a quatro congressistas do Partido Democrata (todas de nacionalidade americana, três nascidas nos EUA e uma outra refugiada da guerra na Somália) que deviam “voltar para a terra delas”. Enfim, nada que se estranhe vindo de quem se entreteve a alimentar a teoria abstrusa de que Barack Obama não era cidadão americano.

 

David Remnick escreveu na New Yorker online, num artigo intitulado Um racista na Casa Branca, que compete aos membros do Congresso “escolher o conluio ou a destituição, alinhar ou resistir” e aos cidadãos “votar ou ficar em casa”, acrescentando lapidarmente: “Em 2008, desfrutamos a ilusão do progresso racial. Hoje, Donald Trump está na Casa Branca”. Remnick sugere aos congressistas, independentemente da sua cor política, que removam ou resistam e censurem um Presidente que endossa a supremacia branca, mas a ideia de que os republicanos prescindiriam dos privilégios do poder ou arriscariam uma derrota eleitoral em nome da decência é uma ilusão (uma sondagem Reuters/Ipsos revelou que o apoio a Trump no seu próprio partido aumentou 5% na sequência dos seus comentários racistas no Twitter). Resta portanto estimular a participação eleitoral no próximo sufrágio para evitar a reeleição de quem, conforme notou Eric Lovitz na revista New York, citado no Público da passada quarta-feira, entende que “os cidadãos dos Estados Unidos de pele escura têm um direito provisório à pertença nacional (…) Se mostrarem suficiente deferência para com os cidadãos de primeira classe, podem apresentar-se como americanos. Se não o fizerem, podem voltar para ‘onde vieram’ (mesmo que os seus antepassados tenham chegado a este continente séculos antes dos antepassados de Trump.”

 

Vídeo: Lisa Simone, Dianne Reeves, Lizz Wright e Angélique Kidjo cantam o clássico de Nina Simone “Four women”, no qual a partir da enunciação de arquétipos de mulheres afro-americanas se faz a denúncia do racismo 

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