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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

LE PORTUGAL EN ROSE

Fevereiro 06, 2022

J.J. Faria Santos

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Como Piaf, António Costa não se arrepende de nada e não se importa com o passado, porque a vida começa agora com os portugueses que lhe deram um Portugal en rose. Onde muitos adivinhavam cansaço do eleitorado e entusiasmo com a oferta da oposição, o sufrágio revelou a pujança do nome da rosa e a importância repetidamente afirmada em inquéritos de opinião de um líder que transmite confiança, segurança e competência.

 

Duas evidências que se viriam a confirmar: os portugueses apreciaram a geringonça e tenderiam a castigar eleitoralmente os parceiros que chumbaram o orçamento. Algum descontentamento que Catarina Martins encontrou na campanha ia neste sentido. Os eleitorados do BE e do PCP valorizariam os contributos dos seus partidos para uma política de esquerda, mas veriam com desagrado algum fundamentalismo que tendia para a intransigência e para a rejeição do gradualismo na aplicação das medidas. A perspectiva de uma geringonça de direita agudizou o recurso ao voto útil.

 

O único mérito da campanha de Rui Rio (e não foi pouco) radicou na criação da ilusão da vitória e em ter conseguido reunir as tropas do partido, incluindo um Luís Filipe Menezes que um mês antes, em artigo no semanário Nascer do Sol, aludia à “bem oculta e cinzenta mediocridade enquanto homem de formação cultural mediana”, à “auto-suficiência sem sustentação” e à “tendência para os dictates e decisões prepotentes” do líder do PSD. Tivemos direito a um Zé Albino special guest star na campanha e a uma participação mediocremente ensaiada num programa televisivo, que não fizerem esquecer o erro capital de insinuar uma geringonça de direita com o Chega.

 

O sucesso da Iniciativa Liberal e do seu bordão de teatro de revista (“o liberalismo funciona e faz falta”), acompanhado de um estilo jovial, parece prometer um papel decisivo na reestruturação da direita, ainda para mais com o definhamento do CDS. Veremos se não acabará por tropeçar no excessivo proselitismo e na tenaz colagem a soluções que sob a aparência da liberdade condenam ao cárcere do desamparo e aos alçapões da meritocracia, e que apresentadas com o verniz da modernidade não passam de velhas soluções recondicionadas.

 

Costuma dizer-se que à dúzia é mais barato, mas o imperioso é que nenhum dos onze acólitos que se vão juntar a Ventura represente um preço demasiado alto para a democracia. Como representantes eleitos do povo português terão o seu espaço de intervenção e a liberdade de propor o que muito bem entenderem, mas não devem esperar qualquer tipo de permissividade ou complacência para com ideias que agridam o core business da própria democracia.

 

Já conhecemos as explicações dos especialistas. As sondagens são um “retrato do momento”, não são uma previsão. Há um grupo de eleitores que só decide na última semana ou no próprio dia das eleições. E há a questão técnica da distribuição dos indecisos. E, todavia, elas continuam a ser entendidas e comentadas (profusamente comentadas…) como se fossem estimativas do resultado. E, mais uma vez, falharam miseravelmente. As sondagens e os comentários.

 

A avalanche de comentadores que dissertaram nos diversos meios de comunicação social, mas sobretudo nas televisões, asseguraram a pluralidade de opinião, mas maioritariamente veicularam teses desfavoráveis ou abertamente hostis ao partido e ao líder que viriam a vencer. A possibilidade de vitória do PSD criou um frenesim mediático em que as inclinações pessoais contaminaram a análise e nublaram o brilhantismo analítico. Mas ainda antes, a 23 de Dezembro de 2021, já Clara Ferreira Alves escrevia que o PSD tinha ganho “aquilo que se chama momentum”, concluindo que “no dia 31 de Janeiro, Costa pode ter perdido tudo depois de perder a cabeça”. Faça-se justiça a João Miguel Tavares, que em meados de Janeiro titulava o seu artigo no Público com um definitivo “Porque é que Rui Rio vai perder as eleições”. A explicação era simples: “os portugueses ainda não estão suficientemente fartos de António Costa”. Pecou largamente por defeito. Uma indiferença a roçar o fastio não conduz a uma maioria absoluta.

ESTE DOMINGO HÁ DESEMPATE TÉCNICO

Janeiro 28, 2022

J.J. Faria Santos

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Rui Rio é católico, mas não crente, e decerto se acreditasse na sua ressurreição como candidato a primeiro-ministro seria com base na mais pura racionalidade. A menos que não tendo fé, tenha sempre uma fezada. A transfiguração do político tecnocrático com um perfil autoritário (com posições muito próprias acerca de dois domínios fundamentais do Estado de direito - a Justiça e a comunicação social) em afável cat lover com um humor esforçado e um trabalhado ar genuíno terá contribuído para a inesperado crescimento do PSD. Mesmo que nos derradeiros dias de campanha tenha ressurgido a figura conflituosa.

 

Outros dirão que o excessivo tacticismo de Costa terá contribuído para o encurtar das distâncias. A aposta inicial na maioria absoluta, procurando congregar a confiança do eleitorado central e dos descontentes com a pouca flexibilidade dos parceiros da geringonça, falhou. O plano B mais credível é o plano G de geringonça, o que levou Rio a considerar que os portugueses não irão “compreender” o regresso da solução. O líder do PSD parece ignorar que António Costa se apresenta ao eleitorado com um balanço que inclui, no contexto do combate à pandemia, uma campanha de vacinação bem-sucedida e um conjunto de apoios às pessoas e às empresas que minimizaram o seu impacto na sociedade e na economia. O seu legado é o de um crescimento económico acima da zona euro, de uma baixa taxa de desemprego e de contas públicas controladas.

 

A motivação para o eleitorado castigar o incumbente passa também (ou sobretudo) pelo perfil inovador e disruptivo do challenger. Que ideia inovadora ou galvanizadora propõe Rio? O propósito de “reorganizar o Ministério da Agricultura”? A “Revisão Constitucional Verde”? A prioridade da redução do IRC sobre o IRS?  A menos que seja a garantia de afastar o espectro da geringonça, que poderá atormentar os chamados eleitores moderados. Infelizmente para ele, a sua ascensão ao poder estará sempre dependente do liberalismo “moderninho” (como diria o Chicão) e delirante da Iniciativa Liberal (com escassos pontos de contacto com a realidade portuguesa) e, sobretudo, do beneplácito sob a forma de apoio ou abstenção do extremismo do Chega. O eleitorado dito moderado que se assustaria com a geringonça vai tolerar o populismo boçal, a retórica incendiária e fascizante e a instabilidade do Chega?

 

Apesar do empate técnico que as sondagens prenunciam, continua a ser significativamente superior o conjunto de inquiridos que reconhecem a António Costa qualidades superiores às de Rui Rio, e esmagadora a percentagem dos sondados que consideram que o PS, independentemente da sua preferência, vai vencer o sufrágio. Podemos no domingo à noite assistir a mais um dos épicos e inesperados triunfos de Rio? Podemos, mas o mais provável é os portugueses que oscilam entre os dois partidos de poder fazerem (permitam-me invocar o diabo) uma vénia à expressão de língua inglesa better the devil you know, escolhendo o Costa que conhecem há seis anos em vez de um Rio, colheita de 2022, descafeinado para efeitos eleitorais. A menos que o milhão de confinados ou o factor Zé Albino condicionem decisivamente o resultado das eleições.

 

Imagem: portaldoeleitor.pt

O CANSADO E OS INSUFICIENTEMENTE FARTOS

Janeiro 16, 2022

J.J. Faria Santos

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A tese é a seguinte: “António Costa já não tem vontade de ser primeiro-ministro”, mas “Rui Rio vai perder as eleições”. Porquê? Porque “os portugueses ainda não estão suficientemente fartos de António Costa”. Estes considerandos foram desenvolvidos em dois artigos no Público por João Miguel Tavares. Em suma, António Costa estará cansado de ser primeiro-ministro, mas os portugueses ainda não estão suficientemente cansados de António Costa.

 

O tema do cansaço tem sido glosado com persistência e intencionalidade por analistas de direita. Eu, quando ouço os comentários de personalidades como, por exemplo, Maria João Avillez, vem-me imediatamente à memória uma frase do insuspeito José Miguel Júdice, em entrevista há poucos dias ao Diário de Notícias, em que ele afirma: “As pessoas desejam uma coisa e, portanto, acham que o comentário político deve ser para ajudar a que essa coisa aconteça”. Ninguém parece ponderar que um perfil de Costa mais sério e mais sereno, menos exuberante e menos enérgico, possa corresponder a uma estratégia política que privilegie a gravitas da pose institucional ao dinamismo quantas vezes balofo que pretende passar por predisposição reformista.

 

Apetece dizer que aos que lhe apontam a fadiga, Costa poderia responder com uns versos de José Régio: “Vem por aqui” – dizem-me alguns com olhos doces, / Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse / Quando me dizem: “Vem por aqui”! / Eu olho-os com os olhos lassos, / (Há nos meus olhos, ironias e cansaços) / E cruzo os braços, / E nunca vou por ali…”

 

Como é difícil defender que Portugal está hoje pior do que há seis anos, o argumento principal de J.M. Tavares é o de que trilhamos “um rumo de empobrecimento relativo e de fatal decadência”. Mas “a catástrofe não é imediata” e “há mínimos de gestão que vão sendo cumpridos”. E “Bruxelas tem apreciado, aprovado e sustentado”, ou seja, não só Bruxelas não está suficientemente farta de Costa como até parece apreciar as suas qualidades.

O CENÁRIO TOTOBOLA: 1 X 2

Outubro 31, 2021

J.J. Faria Santos

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Politólogos e economistas partilham o facto de analisarem com talento e brio profissional o passado com a inadequação para prever o futuro. Na ausência de uma bola de cristal, melhorada com algoritmos e teorias de base empírica, restava-nos o deus ex machina Marcelo, não só para antecipar desenvolvimentos que as próximas semanas e meses trarão, mas sobretudo para condicionar o presente em nome da sua visão do interesse nacional, visão essa, preferivelmente, alheia aos jogos partidários. Ora, sucede que o PR fracassou com estrondo no seu território de expertise, afundando-se em manobras condenadas ao insucesso (com o temperamental poder madeirense) e dando uma machadada na sua neutralidade perante os interesse político-partidários e até intrapartidários (o timing da audiência a Rangel é tão inepto que só pode ter sido propositado). E a célebre proclamação “Eu sou como sou”, com ressonâncias de inimputabilidade, é a cereja no topo do bolo de uma semana que acelerou o tempo e marcou o início, agora sim, de um novo ciclo.

 

Para sermos justos, temos de convir que não foi o PR que espoletou a crise política. Embora fosse de esperar que tão arguto analista político percebesse que também o BE, mas sobretudo o PCP, “são o que são”, e que a sua proclamação definitiva de que o chumbo do Orçamento do Estado redundaria em eleições antecipadas continha em si uma forte probabilidade de ricochete. Em perda eleitoral, convencidos de que a geringonça não lhes trouxe grandes dividendos, Bloco de Esquerda e PCP regressaram ao conforto do estatuto de partidos de protesto. À direita, nem sequer o vago perfume do poder serve para unir um PSD em convulsão interna (com os passistas a quererem cavalgar o efeito Moedas e Rangel a fazer campanha como se já fosse líder do partido) e um CDS em guerra civil, com o Chicão a diminuir-se com expedientes que pretendem iludir uma cisão grave, enquanto que, acossado à direita, planeia abrigar-se na enseada do PSD dos tiros das fragatas da Iniciativa Liberal e do Chega, dupla candidata a crescimento em votos e deputados.

 

Politólogos e analistas políticos entregam-se, agora, ao “cenário totobola”. 1 – o PS, apesar do desgaste, capitaliza o voto útil e  parte do voto flutuante ao centro e vence com margem significativa. X – fica tudo sensivelmente na mesma, a ingovernabilidade adensa-se e Marcelo tem de gerir o impasse por ele directamente provocado. 2 – o eleitorado, confrontado com os desentendimentos à esquerda e/ou com os méritos da alternância, concentra votos à direita. Questão fulcral: os cenários 1 e 2 proporcionam uma solução estável de governo? O PAN pode ser decisivo à esquerda e o Chega tornar-se indispensável à direita?

 

Como sempre, em democracia o povo é quem mais ordena. Marcelo diz-se pronto para crises sucessivas e vai insinuando a sua simpatia por uma solução que não ousa dizer o seu nome (diz que é uma espécie de bloco central, informal e implícito). Teresa de Sousa escreve hoje no Público que “o primeiro-ministro joga tudo nestas eleições”. E interroga-se: “Continuará a ocupar o centro do palco? Marcelo gostaria de lhe ficar com o lugar.” Depois de uma solução à esquerda, que apesar da retórica da direita nunca foi extremista nem extremada, caminhamos para um centro radical?

 

IMAGEM: Nuno Fox (expresso.pt)

FESTA É FESTA (COM CALDO-VERDE E CHOURIÇO)

Setembro 25, 2021

J.J. Faria Santos

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Amanhã, é dia de festa. É a festa da democracia, do exercício de um direito, da concretização de um poder soberano e livre de escolher e dar corpo com uma cruz à expressão da vontade popular. Para que esta se manifeste de forma informada e consciente, são necessárias a clareza e a simplicidade. Daí a bipolarização: o eleitor apenas terá de escolher entre a Lista A - Constituição da República Portuguesa" e a "Lista B - Ditadura Parlamentar". Acorramos, pois, todos ao Marquês de Pombal, de rosto descoberto com confiança no futuro (não acreditem na balela dos eventos de supertransmissão). E como eu não reconheço legitimidade a esta democracia de fantochada, pejada de corruptos e pedófilos (não toquem nas crianças!), recorro à desobediência civil para não respeitar o ditatorial dia de reflexão e apelar ao voto em massa na Lista A. E como nós não somos como os pedófilos e seus cúmplices que se barricam em restaurantes, escolhemos refeiçoar al fresco um português caldo-verde (uma nota ecológica e vegetariana com a pequena provocaçãozinha do chouriço).

 

Lamentavelmente, alguém que se apresentou como um dos organizadores (claramente um infiltrado, um degenerado sem vergonha nem capacidade de regeneração) disse ao Expresso que se trata de uma “eleição satírica”.  Este verme, que merecia ser esquartejado ou cravejado de balas encostado a uma parede, claramente não percebeu o conceito de “eleições paralelas”. É verdade que não foi o único. Houve uma criatura efeminada (e provavelmente pedófila…) que me perguntou se íamos exibir o último filme do Almodóvar. Tive de explicar à abantesma que o filme desse tarado se chamava “Mães Paralelas”. Os sacrifícios que temos de fazer pela defesa da Constituição… Até o nome artístico da grande líder Anabela Seabra – Ana Desirat – tem sido pretexto para insinuações e atoardas. Correu nas redes sociais que Desirat é um anagrama de Ditares (forma do verbo ditar – impor, prescrever, ditar em voz alta para alguém escrever), numa tentativa canhestra de a associar a uma postura estridente e autocrática. Só porque a querida líder tem uma queda para o megafone. (Aliás, a contagem dos votos a efectuar no Terreiro do Paço será, provavelmente, anunciada por este meio.) É impressionante como as teorias da conspiração se espalham de forma irracional  e incontrolável…

 

Imagem: Expresso.pt

TRUMP DESINSTALADO

Novembro 08, 2020

J.J. Faria Santos

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Os eleitores, já se sabe, comandam o painel de controlo da democracia. Convencionou-se que o procedimento comummente designado por sufrágio (que inclui a votação por correspondência) termina com a contagem dos votos e a proclamação dos resultados. Num Estado de direito democrático não passa pela cabeça de qualquer candidato com carácter ou noção do ridículo exigir a interrupção da contagem ou a continuação desta ao sabor dos seus interesses ou do seu desgovernado arbítrio. Os americanos escolheram o programa e a figura de Joe Biden e preparam-se para desinstalar Donald Trump.

 

O derrotado estrebucha. Ao seu estilo: grandiloquente, inane e infundamentado. Os seus correligionários dividem-se entre os que defendem a legalidade e os que não resistem ao servilismo e à partidarite aguda. O Conselho Editorial do Washington Post opinou de forma cortante que “A História recordará quem, em tempos perigosos, ajudou a democracia americana – e quem ajudou o Sr. Trump a debilitar a democracia americana”, e que “não há compromisso possível entre a verdade a as mentiras do Sr. Trump”. Já Maureen Dowd, colunista do New York Times, diverte-se a ridicularizar a reacção e a argumentação do candidato derrotado, notando que para quem era encarado como “o génio maligno da manipulação dos media”, berrar que se está perante uma “eleição roubada” porque está “a perder” é manifestamente patético. Seria de esperar, escreve ela, que ele congeminasse algo de “épico”, “uma conspiração grandiosa”.

 

Agora que ele foi eleito Presidente, Maureen Dowd vê na carreira política de Joe Biden a prova de que o escritor F. Scott Fitzgerald estava enganado e que, de facto, existem segundos actos na vida americana. Na política existem momentos que requerem um visionário, um audacioso, um portador do archote da esperança e do dinamismo, mas, noutras alturas, o mais importante é restaurar a normalidade, a dignidade e a compostura. É preciso remover o MAGA (Make America Great Again) e anunciar o MADA (Make America Decent Again). E a decência indispensável conviverá com a grandiosidade possível.

 

Imagem: www.reddit.com

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