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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

UM LONGO ADEUS OU UM DESPOJADO ATÉ JÁ?

Janeiro 02, 2022

J.J. Faria Santos

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Com 2022 a estrear-se no ecrã panorâmico das nossas vidas e com um Big Brother Políticos marcado para o final deste mês, amontoam-se pitonisas e astrólogos, videntes e médiuns na tarefa de adivinhar os acontecimentos que marcarão a nossa casa comum. O futuro do actual primeiro-ministro, dada a conjugação das estrelas mediáticas opinantes, parece sombrio. Daniel Deusdado escreveu no Diário de Notícias que “se torna difícil não se pensar que António Costa está de saída. Não se vê de onde possam vir os votos para o segurar”. Já Clara Ferreira Alves escreveu antes do Natal no Expresso que “no dia 31 de Janeiro, Costa pode ter perdido tudo depois de perder a cabeça”. E numa cedência pouco comum ao sentimentalismo sentenciou que “Costa perdeu muitos corações do PS que votarão em Rui Rio”, considerando que “o PSD ganhou aquilo que se chama momentum”.

 

Há ainda quem veja no comportamento do líder do PS uma certa resignação ou desprendimento, como se lhe competisse adoptar uma atitude mais combativa e agressiva na marcação da agenda mediática. Há quem veja nisto um sintoma de declínio, de percepção de derrota iminente. A questão é se o eleitorado central, que supostamente decide eleições, se reveria na bravata retórica ou se prefere a força tranquila. Como o próprio Costa referiu em entrevista a Anabela Neves, durante seis anos os portugueses acompanharam e avaliaram o seu trabalho. Para o bem e para o mal, conhecem-no. Será que a alternativa é assim tão aliciante, tão inovadora e disruptiva? E se não se quer a disrupção, mas sim a continuidade, Rio reúne um conjunto de qualidades de liderança que face ao incumbente constituem indiscutíveis mais-valias?

 

Uma sondagem do ICS e do ISCTE para o Expresso (edição de 30/12/21) inquiriu os participantes acerca das qualidades dos líderes do PS e do PSD. O resultado é largamente favorável ao líder socialista, visto como mais experiente (65% contra 14%), mais competente (46% contra 26%), mais honesto (36% contra 21%), mais simpático (53% contra 21%) e mais preocupado com as pessoas (43% contra 19%). Rio vence no capítulo da frontalidade (“diz mais o que pensa” – 41% face a 31%), mas, talvez consequência disso ou não, é percepcionado como menos ponderado (26%) do que Costa (48%). A questão é, pois, se o alegado momentum de que o PSD goza insuflará as qualidades do seu líder ou fará esquecer as suas debilidades, sendo certo que são inegáveis quer a sua capacidade de resistência quer o seu currículo de vitórias inesperadas.

 

No mesmo jornal, um artigo de opinião de Ângela Silva anuncia que “para o Presidente da República, Rio não é a solução” e que para Marcelo “adiar uma solução liderada pelo ‘pedronunismo’ é um objectivo”, enquanto espera pela ascensão de Moedas. Portanto, o Presidente que Clara Ferreira Alves considerou que “desapareceu de cena devido a complicações de saúde”, reapareceu rapidamente na plena posse das suas faculdades de encenador com prerrogativas de director de casting. Mas são os portugueses que vão decidir se ganha o António ou se ganha o Rui. No Big Brother Políticos de 30 de Janeiro, Marcelo limitar-se-á a envergar as plumas de mestre-de-cerimónias. Depois, mas só depois, será o pivot da solução política.

 

Imagem: multinews.sapo.pt

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