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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

SILÊNCIO E TANTA GENTE (PARA ESCUTAR BESTEIRA)

Julho 16, 2019

J.J. Faria Santos

 

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O mito extraiu um dente e foi aconselhado a evitar falar durante três dias. Pode o Brasil passar 72 horas sem o seu verbo inflamado? Claro que sim, ainda para mais se meditarmos que uma das definições de mito é a de alguém que é representado de forma irrealista. Na verdade, não dá para acreditar no espectáculo de boçalidade, vacuidade e incompetência que ele com garbo protagoniza.

 

O herói, depois de perder popularidade entre os pobres e a classe média, vê agora resvalar a sua aprovação entre as classes mais abastadas. Conforme noticiou a Folha de S. Paulo, aumentou de 22% para 41% a percentagem dos que, neste segmento da população, consideram o desempenho do seu governo ruim ou péssimo. Já em Abril, dados do Datafolha mostravam que nos últimos 28 anos nenhum Presidente em início de mandato atingira um índice de reprovação tão elevado. Mas 59% da população ainda acreditava que ele fará uma gestão óptima ou boa.

 

Fiel seguidor da escola trumpiana, Bolsonaro esmera-se na demonstração das suas insuficiências e fraquezas, com o desplante e a confiança de quem se julga acima da crítica e ungido pelo Divino. Não há outro modo de interpretar o lacónico comentário ao desaparecimento de João Gilberto [“(Era) Uma pessoa conhecida. Nossos sentimentos à família, tá ok?"]. Ou o desprendimento com que compromete as suas supostas credenciais de grande combatente da corrupção, ao sacudir as suspeitas de nepotismo, a propósito da nomeação do filho Eduardo para embaixador nos Estados Unidos, com esta tirada carregada de leveza: “O meu filho fala inglês e espanhol e é amigo dos filhos de Donald Trump. Está muito melhor capacitado do que eu.”

 

É ou não um visionário? Capaz até de contar entre as “jóias raras” que compõem o seu governo uma vidente, uma mulher “terrivelmente cristã” que viu Jesus Cristo em cima de um pé de goiaba. Longe de mim desdenhar da fé dos homens e das mulheres, mas é seguramente indigno e grotesco explorar as crenças religiosas para obter vantagens políticas. E mais ainda invocar o nome de Deus para promover políticas que contrariam a doutrina cristã. Antes o silêncio, a conselho médico, que nos poupe à incontinência verbal.

 

Imagem: Foto de Alan Santos (www.gazetadopovo.com.br)

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