SHAKESPEARE APLICADO À POLÍTICA PORTUGUESA
Março 25, 2015
J.J. Faria Santos
- O que poderia dizer Mariana Mortágua a Ricardo Salgado.
“Os grandes abusam quando separam remorso e poder.”
- O que poderia dizer Ricardo Salgado a José Maria Ricciardi
“Na confiança franca e simples não há artifícios; porque os homens desleais, como os cavalos de arranque impetuoso, exibem-se galhardamente e prometem ousadias.”
- O que poderia dizer Paulo Núncio a Paulo Ralha
“Acreditai em mim por minha honra e respeitai a minha honra, para poderdes acreditar.”
- O que poderia dizer António José Seguro a António Costa
“Se não és imortal, olha à tua volta: a confiança abre o caminho à conspiração.”
- O que poderia dizer o procurador Rosário Teixeira a José Sócrates
“És acusado de teres mão cobiçosa, e de por ouro venderes e traficares os teus serviços a gente indigna.”
- O que poderia dizer Carlos Alexandre a José Sócrates
“Vai mostrar aos teus escravos o colérico que és e faz tremer os teus lacaios. Hei-de encolher-me?”
- O que poderia dizer José Sócrates a Carlos Alexandre
“É de facto um tempo estranho. Mas os homens podem interpretar as coisas a seu modo. Diferente do que elas próprias prometem.”
- O que poderia Paulo Portas dizer a Passos Coelho
“Combinemos, pois, a nossa aliança; seguremos os nossos amigos, alarguemos os nossos recursos, reunamo-nos agora em conselho para ver como melhor podem ser descobertas ameaças escondidas e mais facilmente sanados os perigos conhecidos.”
- O que poderia Miguel Relvas dizer a Passos Coelho
“E já que sabes que não te podes ver melhor que por reflexo, eu, o teu espelho, vou revelar-te com recato aquilo que ainda não sabes de ti.”
- O que poderia dizer Cavaco Silva, perspectivando o fim do seu mandato
“Não me apetece errar pelas ruas, mas qualquer coisa me força a sair.”
(Citações da peça Júlio César, de William Shakespeare, tradução de José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto e Luís Miguel Cintra, edição Livros Cotovia.)