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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

RESMAS DE CARTAZES À BEIRA DA ESTRADA

Dezembro 18, 2018

J.J. Faria Santos

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Porventura receando que Portugal não a esteja a escutar, Assunção Cristas propõe-se ouvir Portugal. No interim, prossegue, afincadamente, a denúncia da catástrofe promovida pelas “esquerdas encostadas”. Já está estabelecida a sua sólida reputação de franco-atiradora, de impiedosa sniper apontando a mira ao primeiro-ministro, que acusa repetidamente de cobardia e falta de carácter, constituindo-se, assim, como o supremo “irritante” do consulado costista. Mas também a restante oposição não escapa à sua fúria, acusada de colaboracionismo ou calculismo. Ao PSD chama o partido da “colaboração”, ao passo que acusa a nova criação de Santana Lopes de não recusar “dar a mão” a quem ela quer dar com os pés.

 

Apostando no impacto visual das suas acções, Assunção Cristas propõe-se agora sinalizar com cartazes as estradas que constituem um perigo para os seus utilizadores. Claro que lhe falta a fúria avassaladora da fabulosa Frances McDormand em Três Cartazes à Beira da Estrada, mas não será este o exemplo a seguir. Uma atitude destas, violentamente aguerrida, aproximar-se-ia demasiado da caricatural angry woman feminista, um pecado num partido democrata-cristão, mesmo na versão 2.0. O partido já estará suficientemente traumatizado com a ligeireza com que ela divulga as circunstâncias dos seus banhos em pelota, ou com a liberdade linguística com que se propõe qualificar os galãs lusitanos. Mais recato, dir-lhe-ão com toda a probabilidade. Mais visitas a pobrezinhos e menos tiradas pouco ortodoxas. Nem toda a nudez será castigada, mas não há necessidade de a publicitar.

 

Cristas terminou o jantar de Natal do seu partido com os votos de um santo Natal. Esperemos que sejam extensivos ao primeiro-ministro cuja “palavra não vale nada”. Nem que seja em nome da caridade cristã ou da virtude da temperança. Embora se compreenda que possa ser mais fácil aprovar “à distância” um diploma congeminado por parceiros de Governo que nunca foi alvo de discussão aprofundada do que saudar inimigos políticos juramentados.

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