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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

PHILIP ROTH (1933-2018) DE VIVA VOZ

Maio 29, 2018

J.J. Faria Santos

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“O sexo não é apenas fricção e divertimento superficial. O sexo é também vingança contra a morte. Não esqueçam a morte. Não a esqueçam nunca. Sim, o sexo também é limitado no seu poder. Eu sei muito bem a que ponto é limitado. Mas, digam-me, há algum poder maior?”

                                                                          

“As pessoas pensam que ao amar se tornam inteiras, completas? A união platónica das almas? Eu não penso assim. Penso que estamos inteiros antes de começarmos. E o amor fractura-nos. Estás inteiro e depois estás fracturado, aberto. Ela foi um corpo estranho introduzido na tua totalidade. E durante um ano e meio lutaste para o incorporar. Mas nunca serás inteiro enquanto não o expelires. Ou te livras dele ou o incorporas através da autodeformação. E foi isso que fizeste e te levou à loucura.”

 

“O ciúme infiltra-se. O afecto insinua-se. O eterno problema do afecto, Não, nem mesmo foder pode permanecer totalmente puro e protegido. E é nisso que eu falho. (…) Esta necessidade. Esta perturbação. Nunca passará? Ao fim de algum tempo, já nem sequer sei, pelo que desespero? Pelas suas mamas? Pela sua alma? Pela sua juventude? Pela sua mentalidade simples? Talvez seja pior do que isso, talvez agora que me aproximo da morte também eu anseie secretamente por não ser livre.”

 

“A história é feita de argumento e contra-argumento. Ou impomos as nossas ideias ou alguém no-las impõe. Goste-se ou não, é esse o problema. Há sempre forças contrárias e por isso, a não ser que gostemos imoderadamente da subordinação, estamos sempre em guerra.”

 

“De Sydney a Belém e a Times Square, a recirculação de clichés ocorre a velocidades supersónicas. Não explodem bombas, não é derramado sangue – o próximo bang que ouvirem será o boom da prosperidade e da explosão dos mercados. A mais ténue lucidez acerca da miséria tornada normal pela nossa era sedada pela grandiosa estimulação da maior das ilusões. Ao observar esta produção acelerada de pandemónio encenado, tenho uma sensação de que o mundo endinheirado está a entrar sofregamente nas prósperas idades das trevas. Uma noite de felicidade humana para introduzir barbarismo.com.”

 

(Citações extraídas de O Animal Moribundo, edição Publicações D. Quixote/Leya, com tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, páginas 63, 87, 91, 97 e 124, respectivamente.)

 

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