Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O TRIUNFO DO IMACULADO CONCEIÇÃO

Maio 06, 2018

J.J. Faria Santos

IMG_20180505_184330.jpg

O tetra não foi treta mas o penta ficou-se pelo tenta. A cavalgada encarnada rumo à hegemonia foi interrompida. A estratégia de Vitória não resistiu à desqualificação do plantel, e a eficácia de Jonas que fará 35 anos no ano 2019 não foi suficiente para alavancar mais um triunfo. A culpa foi do deslumbramento, dizem alguns, quais Brutus preparados para cravar um punhal em César. Não o Júlio César, claro, que esse já não mora aqui. Na verdade, o contestado é o poderoso e absolutista Luís Filipe I. Rui Vitória diz que “não é rato de porão para fugir”, mas a questão é se lhe estarão a preparar uma ordem de despejo. E já que estamos em terreno náutico, tendo em conta os sucessos do passado recente, é manifestamente exagerado tocar a rebate como se o Titanic fosse naufragar, mas talvez seja avisado que a banda não continue a tocar. Pelo menos a mesma música.

 

As ambições sportinguistas sobreviveram à revolta na academia porque os amotinados encontraram amparo em Jesus. Contra o desconcertante destempero emocional do escatológico presidente, foi necessária a resiliência psicológica do treinador, com a flexibilidade táctica de mestre necessária para ser solidário com os jogadores sem se incompatibilizar com Bruno de Carvalho. Os títulos regressaram nesta nova era, mas o mais desejado continua a escapar-se por entre os dedos. Também continua a ser difícil ser profeta na própria terra. Mais ainda quando a fé presidencial (no profeta e/ou nos discípulos) vacila sempre que a sua gula pelo título de campeão sai frustrada. E não é despiciendo que Jesus seja considerado um activo caro e com predilecção por contratações caras. Podemos dar como adquirida a sua competência à la Paula Rego para magistrais pinceladas tácticas na tela do relvado, mas ninguém nos tira a convicção de que parte do segredo está na “pasta”.

 

Não sei se terá sido este (a pasta) o motivo porque não terá rumado a norte. Dizem que foi desejado, talvez depois do fracasso espanhol, talvez depois da vinda do Espírito Santo. O certo é que descartado Jesus e rescindido Espírito Santo, chegou a vez do imaculado Conceição. O dragão estava entorpecido, a sua chama um fogo-fátuo (nas duas acepções da palavra: de labareda mortiça e de glória pouco consistente). “Pasta” não havia, a descrença alastrava, o espírito de grupo soçobrava. No cemitério das ideias ilusórias jazia a convicção de que a organização do departamento de futebol era a essência do triunfo, que qualquer treinador que chegasse percorreria inexoravelmente a rota da vitória. Sérgio Conceição soube integrar e reinventar: jogadores, procedimentos, tácticas. Acima de tudo o mister recuperou a mística.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D