Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O FALSO MESSIAS

Novembro 06, 2018

J.J. Faria Santos

Bolso_meme.jpg

 

Há algo de absurdo na necessidade que o Presidente eleito Jair Messias Bolsonaro teve de proclamar urbi et orbi (e às redes sociais…) que o seu “Governo será defensor da Constituição, da democracia e da liberdade”. Como se não tivesse sido eleito para o cargo numa nação com instituições consolidadas e respeitadoras da ordem democrática. Claro que ele próprio intuiu que o seu notável cadastro de declarações incendiárias e degradantes, além de ter servido uma estratégia política vitoriosa, poderia impedir o mínimo de normalização do debate político e do exercício dos poderes de que será investido.

 

Sim, o Brasil queria a alternância democrática, mas justificar-se-á ficar só pela alternância? “As minorias têm de se curvar às maiorias. As minorias ou se adequam ou simplesmente desaparecem”, vociferou o Messias. E o eleitor brasileiro disse ámen. O Messias ameaçou prender ou exilar os adversários políticos, “combater a violência com mais violência” e condicionar a comunicação social hostil. Proclamou o seu apreço pela tortura. E o eleitor brasileiro disse ámen.

 

O Messias diz que foi escolhido e que “Deus capacita os escolhidos”. É difícil acreditar que Deus “capacite” quem espalhou uma mensagem de ódio e exclusão. Na primeira página da sua Proposta de Plano de Governo, Bolsonaro inscreveu uma citação da Bíblia: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Escusado será dizer que em nome de uma suposta verdade já se cometeram incomensuráveis atrocidades. E acresce que a mesma Bíblia transcreve os avisos de Jesus, referindo-se àqueles que dirão que vêm em seu nome e que “hão-de enganar a muita gente”, mas também aos “muitos falsos profetas que enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, resfriará a caridade da maioria; mas aquele que se mantiver firme até ao fim, será salvo” (Mateus 24: 4-13).

 

Jair Messias Bolsonaro nunca escondeu o seu apreço pela ditadura e a sua descrença no poder do sufrágio universal – “Através do voto você não vai mudar nada neste país, absolutamente nada. Infelizmente, só vai mudar quando partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil”. Agora, garante na sua Proposta de Plano de Governo: “A forma de mudarmos o Brasil será através da defesa das leis e da obediência à Constituição”. Afirmações contraditórias que expõem uma condição de falso Messias, que não só não parece reunir as condições para promover uma mudança que congregue e inspire a nação brasileira, como ainda se enreda numa duplicidade de afirmações que contraria a sua intenção de libertar pela verdade. Muita firmeza será necessária para manter o Brasil a salvo. 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D