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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O EVANGELHO SEGUNDO BRUNO DE CARVALHO

Junho 10, 2015

J.J. Faria Santos

Unamos a autoconfiança megalómana de Jorge Jesus (“Acho que sou o melhor treinador do mundo, mas isso só vou poder justificar quando ganhar a Champions.") ao fervor clubista de claque, devidamente condimentado com alguma grosseria escatológica, de Bruno de Carvalho (“…o futebol português está bipolarizado, isto funciona como o ânus onde temos duas nádegas que se enfrentam uma à outra dizendo 'estou aqui e sou melhor do que tu'. Entre algo fisiológico como o ânus, ou sai vento mal cheiroso ou trampa. E é disto que o futebol português está cheio por dentro e por fora: trampa…”) e teremos um vislumbre do Sporting do futuro próximo.

 

Entretanto, fala-se de gratidão, traição, ética e carácter. Sugere-se a ganância de um (os milhões…os milhões…) e a avareza (reduzir os custos) ou o ciúme do outro (eu é que sou o presidente e ele é que transporta os louros dos campeonatos). As promessas de um clube de prestígio para Jesus treinar no estrangeiro rapidamente sofreram um downgrade para uma potência futebolística da China, do Médio Oriente ou da Turquia.

 

Dos lados de Alvalade, o presidente que critica os jogadores via Facebook “e que entrou furioso no balneário, aos pontapés “, berrando “Vocês roubaram-me o campeonato!” (Expresso, 6/06/15) não gostava do estilo de Marco Silva. Porquê? Não, não era exactamente porque ele era negligente no cumprimento do dress code. Pura e simplesmente, nunca agradeceu ao presidente. Não se mostrou grato. E enquanto uns sportinguistas exultam com a perspectiva de títulos em catadupa, outros rasgam as vestes desconfiados da pujança financeira do clube, temendo a entrega do Sporting a “interesses obscuros”.

 

Será que para alguns a ética é como o fair play, uma treta? E que para outros os ingratos não são insubstituíveis? E para outros ainda os empates em casa com equipas de orçamento inferior são inadmissíveis e motivo para descartar o treinador? Não se terá tratado de uma conjugação legítima de interesses e oportunidades? Jesus cumpriu o contrato. Vieira abriu-lhe a porta de saída e quis condicionar as opções dele, encaminhando-o para uma porta alternativa. Jesus, que já tinha aberto uma janela, transpôs a que Bruno lhe escancarou. Marco foi empurrado porta fora. O que parece é que, dos lados da Luz (apostados em continuar no caminho da vitória sob a batuta de um culto e poliglota Vitória), e parafraseando o próprio Jesus, querem fazer dele o “bode respiratório”.

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