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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O DESAMOR ACONTECE

Março 13, 2018

J.J. Faria Santos

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A produtora e realizadora italiana Livia Giuggiola, casada com Colin Firth (cujos trabalhos incluem o papel principal na estreia cinematográfica de Tom Ford e também a odisseia pelas ruas de Lisboa até encontrar Lúcia Moniz em O Amor Acontece) admitiu ter tido um relacionamento com o homem que agora acusa de a perseguir, a ela e ao marido. O affair terá ocorrido num período em que o casal se separara e terminado com a reconciliação. Marco Brancaccia, jornalista e amigo de longa data de Livia, terá conduzido, segundo palavras de um representante do actor ao Huffington Post, “uma assustadora campanha de assédio”. Brancaccia declarou ao The Times que apenas se limitara a enviar duas mensagens para Livia via WhatsApp, bem como um email para Colin Firth com detalhes da aventura amorosa. E acrescenta que Livia lhe enviou “centenas de mensagens de amor, fotografias e vídeos, e até um diário.”

 

O fim de um relacionamento, a menos que seja genuinamente de comum acordo, deixa inevitavelmente cicatrizes e conduz fatalmente a recriminações. O arrebatamento, a idealização, a partilha de sentimentos e sensações quando confrontados com a ruína não se encantam com os escombros. É grande a tentação unilateral de encontrar a Fénix nas cinzas de um fogo extinto. E provavelmente ainda mais quando tudo termina em favor de uma segunda oportunidade para um casamento ligado às máquinas.

 

A separação pode instalar no convívio subsequente a estranheza, mas isso não transforma os envolvidos em estranhos. Hanif Kureishi escreveu magnificamente sobre este assunto em Intimidade, um relato acerca da insatisfação conjugal, do apelo da libido e da iminência da separação. A dada altura, Jay prenunciando a sua saída de casa e o abandono de Susan desabafa: “Em breve seremos como estranhos. Não, nunca poderemos ser isso. Magoar alguém é um a[c]to de intimidade relutante. Seremos conhecidos perigosos com um passado comum.”

 

(Intimidade  de Hanif Kureishi foi editado pela Relógio D’Água com tradução de Inês Dias)

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