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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O AZOUGADO HUGO E A ASSERTIVA CRISTAS

Agosto 01, 2017

J.J. Faria Santos

Circus - Aerial Acts.jpg

 

O azougado líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, político de grande visão panorâmica, cortesia dos seus 186 cm de altura, intimou, sob a forma de ultimato com prazo de 24 horas, o Governo a divulgar a “lista nominativa das pessoas que perderam a vida na tragédia de Pedrógão Grande”. O Hugo é sagaz e capaz de se adaptar “às circunstâncias, desde que sinta que a sociedade está preparada”. Deve ter tido um feeling de que a sociedade estava preparada para um ultimato em que não se enuncia a consequência do seu desrespeito. A estratégia era esperar a reacção governamental e depois improvisar. Só por má-fé é que alguém poderá supor que Hugo Soares fez uma exploração miserável de uma tragédia e aproveitou uma manchete ambígua para sugerir que o Governo ocultava dados. Devemos-lhe o benefício da dúvida que ele concedeu ao Executivo: “Eu não quero acreditar que o senhor primeiro-ministro e o Governo estão a fazer uma gestão política da tragédia que assolou Pedrógão Grande.” Era só o que nos faltava: O Ultimato Hugo depois da Crónica dos Suicídios Anunciados. Tirem-nos destes filmes manhosos de fundo de catálogo. Incatalogáveis.

 

Ela quer à viva força apresentar uma moção de censura. Para o efeito, ora sonda a opinião do Presidente da República, ora testa a opinião pública na comunicação social. Porque o CDS exige “nada mais, nada menos que a verdade”. Mas, ao contrário do azougado Hugo, a assertiva Assunção não fixa prazo. A paciência é uma virtude cristã. E da Cristas. Adquirida, quem sabe, na gestão dos humores da sua numerosa prole, ou nas expedições de botas e calças de ganga aos bairros sociais, onde, de acordo com a doutrina Câmara Pereira, não são admissíveis o “espartilho” e a “saia travada”, mas a censura mais destravada acode à boca das gentes. Mas nela a paciência anda a par com a persistência, e enquanto distribui generosamente acusações de cobardia política, vai ponderando a tal moção de censura. Para derrubar o Governo? Certamente que não. Como disse o ex-primeiro-ministro Passos Coelho, só alguém “desatento” é que consideraria que Costa não tem condições para governar. E a Assunção? Tem condições para censurar? Talvez tudo dependa do lado que sopre o vento de Lisboa que ela tem colado à pele.

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