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NO VAGAR DA PENUMBRA

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LULA E A DERROTA DA JUSTIÇA (MORO)SA

Março 14, 2021

J.J. Faria Santos

Lula.jpg

Por decisão de um juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Lula da Silva viu anuladas duas condenações e readquiridos os seus direitos políticos. Aqueles que não confiaram na justeza do julgamento político e se socorreram da subversão da Justiça para o afastar das eleições presidenciais, viram agora reforçadamente exposta a sua estratégia justicialista e os seus atropelos ao Estado de direito. A subsequente carreira política de Sergio Moro já tinha tornado evidente a motivação por detrás da sanha persecutória, mas a divulgação pelo The Intercept Brasil de comunicações telefónicas em que este se permitia fazer sugestões e dar instruções aos procuradores desvendou um clima de promiscuidade, falta de senso e manifesta parcialidade. Citando Francisco Teixeira da Mota, em artigo no jornal Público, Moro “conduziu os processos exorbitando dos seus poderes como juiz e estabelecendo um verdadeiro conluio com o Ministério Público, inaceitável num Estado de direito”.

 

É habitual associar o legado mais negativo dos mandatos de Lula ao eclodir do esquema de corrupção associado à Petrobras. Não pretendendo minimizar a gravidade do caso, seria oportuno meditar se não será ainda mais relevante a brutal desigualdade social que caracteriza a sociedade brasileira e, sobretudo, a latente ou explícita aversão de uma certa classe média à promoção da igualdade de oportunidades. Na opinião do sociólogo Adalberto Cardoso, para uma dada classe média alta “as classes baixas interessam como servidoras das classes médias. São garçons, atendentes, serviçais domésticos etc. Gente que deveria estar ali para servi-las, não para ocupar o mesmo banco que elas no avião, tomar o mesmo vinho, comer a mesma comida.” Esta visão utilitarista e despersonalizadora da condição humana, esta desconsideração em nome da preservação dos privilégios e do status quo, é verdadeiramente ignominiosa e inaceitável numa sociedade democrática que deve incentivar a mobilidade social.

 

Imagem: 24.sapo.pt

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