FORTIMEL (COM MOSCATEL) TOMADO, MARCELO DESLIGADO
Julho 09, 2023
J.J. Faria Santos
Esta semana no reality show O Verdadeiro Presidente de Belém houve um episódio que escapou ao argumentista. Isto de “orquestrar” a realidade tem um risco elevado. O colapso de Marcelo, devido a uma quebra de tensão, não teve, felizmente, o dramatismo do desfalecimento de Madonna, mas, mesmo assim, causou alguma apreensão, com as notícias a darem conta de que ele terá recobrado a consciência passados alguns segundos, para uns, ou cinco minutos, para outros.
Se é certo que não assistimos nos ecrãs televisivos à síncope vasovagal, pudemos ver o corpo inanimado a ser transportado em braços, tendo a CNN/TVI tido o cuidado de distorcer a imagem para que não pudéssemos ser surpreendidos com a visão da underwear presidencial ou até de alguma região corporal normalmente ocultada por pudor. (Uma amiga desbocada confidenciou-me que se já lhe vimos as mamas, podíamos perfeitamente ver o rabo.)
Recuperada a consciência, o sempre frenético Presidente logo tratou de atender telefonemas, dificultando o trabalho de bombeiras e socorristas e sujeitando-se a um ralhete. Foi a primeira fase da retoma da iniciativa e do controlo da narrativa. Ao final da tarde, o próprio doente, em declarações às televisões, apresentou o boletim clínico, apontou a causa provável para o incidente, revelou estar a ser monitorizado com o Holter e fez o relato comentado das chamadas recebidas. Na versão presidencial, terá sido a mistura de Fortimel (um suplemento alimentar que, para espanto e condenação dos nutricionistas, Marcelo utiliza como substituto de refeição) com moscatel que originou a síncope.
Num relato vivo e com a dose habitual de provocação, Marcelo mostrou a sua predileccção pelo humor negro ao ter assegurado ao primeiro-ministro que “ainda não é desta que morro”. E revelou ter recebido também um telefonema de um candidato a candidato a Presidente (o “comentador independente” Marques Mendes?), de cujo nome se esquecera (não é sequela do desmaio) e a quem tratou de desenganar: ainda é cedo para lhe cobiçar o lugar.
O médico da Presidência confessa-se incapaz de moderar ou controlar a hiperactividade do Presidente. O primeiro-ministro considera que ele é daquelas “pessoas que ganham energia em movimento”. Marcelo é uma fonte de energia cinética renovável. E recarregável. Marcelo é verde. Roam-se de inveja.