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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

EDUARDO LOURENÇO (1923-2020) EM DISCURSO DIRECTO

Dezembro 01, 2020

J.J. Faria Santos

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“Devemos falar de nós como se estivéssemos mortos. Para ter a sorte de algum dia parecermos vivos. Ao menos por comparação com essa morte que nunca contemplaremos. Se a contemplássemos saberíamos então o que é mesmo estar morto. Mas mesmo então não saberíamos o que é ser morto.” (2000)

 

“A mais alta forma de caridade é aceitar a nossa morte porque os outros que nós amamos também morreram.” (2003)

 

“Mesmo entregas de prémios, homenagens, cenas assim, criam-me um enorme stress. Depois de uma delas, das primeiras, estive seis meses sem escrever uma linha. Foi como se tivesse assistido ao meu próprio enterro.” (2003)

 

“Tudo quanto toquei me formou e deformou. Como um búzio desejei guardar o mar dentro de mim.” (1953)

 

“Reveladoras são as nossas atitudes face ao imprevisto permanente que é o mundo e os outros para nós. São os outros quem nos conhece. Ou, pelo menos, são a ponte de passagem para o nosso conhecimento: a ocasião de uma revelação.” (1952)

 

“É fácil escrever sobre o Diabo. É sempre um texto autobiográfico.” (2001)

 

“Entramos na idade da Internet. Próxima etapa: falar directamente com Deus. O que nós fazemos desde que falamos.” (2003)

 

“Nós temos alguns momentos shakespearianos na nossa história, mas alguém tapou esses buracos todos. Não há conflito. Há passividade.” (2010)

 

“De regresso de um passeio breve abro a cancela do jardim e deparo comigo absorto diante do cipreste que projecta a magra sombra no branco da casa. Assim, distraído de mim, no intervalo de nada, descobri num segundo que são as coisas que nos amam e não o contrário. Em silêncio amparam-nos por existir sem ter existência e esta calada vida é um olhar pousado sobre nós. Um aceno sem olhos, um abraço sem mãos. De quem?” (1991)

 

Fontes: Público, edições de 21/04/1996, 11/11/2000, 26/05/2001 e 26/05/2003; Visão de 22/05/2003; Expresso de 30/12/2010.

Imagem: Pormenor de fotografia de Rui Gaudêncio

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