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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

CRÓNICAS DO SEXO

Fevereiro 20, 2018

J.J. Faria Santos

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Sob a pressão de grupos conservadores, o parlamento indonésio está a ponderar legislação que prevê a prisão até cinco anos para as pessoas que pratiquem sexo sem estarem casadas. Ao mesmo tempo, dá conta a curta notícia da Time intitulada A crescente intolerância da Indonésia, prevê-se a ilegalização das relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Por um lado, a sociedade indonésia parece ter-se mobilizado para contrariar esta repressão sobre o acto sexual, o que se manifesta através das dezenas de milhares de indivíduos que se pronunciaram nesse sentido através de uma petição online. Mas por outro lado, numa sondagem recente, “quase 90% dos indonésios que compreendem o termo LGBT declararam sentir-se ameaçados pela comunidade”. O que até se poderá perceber se estas pessoas levarem à letra as afirmações do ministro da Defesa, Ryamizard Ryacudu, que considera os activistas gay “mais perigosos que uma bomba nuclear”.

 

O primeiro-ministro australiano anunciou uma revisão do código de conduta que rege o comportamento dos governantes no sentido de proibir as relações sexuais entre estes e os seus funcionários. A medida surge na sequência da revelação do affair extra-conjugal entre o vice-primeiro-ministro e a sua, na altura, conselheira para os media. Claro que, neste caso, a atitude repressiva não é comparável à do governo indonésio, até porque os ministros australianos podem fornicar livremente com os funcionários dos outros ministérios. Mas não deixa de ser questionável a necessidade de inscrever este género de regras num código de conduta. Pior só as considerações do primeiro-ministro acerca da atitude do seu vice, considerando que a sua acção, e cito a tradução do Expresso, “espoletou um mundo de desgraças para estas mulheres [a consorte e as 4 filhas] e chocou-nos a todos”. Não querendo minimizar o impacto emocional da infidelidade, “um mundo de desgraças” é uma manifesta hipérbole que descamba para o tremendismo e a infantilização.

 

Os Estados Unidos têm estado entretidos com a história da infidelidade de Donald Trump com uma actriz de filmes para adultos, cujo nome artístico é Stormy Daniels. Tudo se teria passado em Julho de 2016, altura em que Trump estava casado com Melania, e os detalhes foram pela primeira vez revelados numa entrevista de actriz à revista In Touch, há sete anos. Soube-se agora que em 2016 Stormy recebeu 130 000 dólares de um advogado de Trump para se manter em silêncio. Claro que esta história terrivelmente banal ( o egomaníaco milionário com predilecção por mulheres-troféu a conquistar a profissional da indústria do sexo, e a subsequente preocupação de ocultação) só interessa à América puritana. A tal que parece mais preocupada em manter as aparências da felicidade conjugal do que em admitir que elegeu um perigoso incompetente para Presidente.

 

Imagem: Foto de Helmut Newton (Courtesy of Bert Christensen)

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