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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

CONTOS DE HOFFMAN

Fevereiro 12, 2014

J.J. Faria Santos

Bruce Weber, no New York Times, considerou-o “talvez o mais ambicioso e consensualmente admirado actor americano da sua geração”. Nomeado por três vezes para o Óscar de melhor actor secundário, viria a ganhar o galardão para melhor actor principal pelo seu desempenho em Capote. No teatro, participou em encenações de peças como A Gaivota de Tchekov, Longa Jornada para a Noite de Eugene O’Neill e Morte de um Caixeiro-viajante, de Arthur Miller, pelo qual foi nomeado para um Tony.

As circunstâncias que envolveram a morte prematura de Philip Seymour Hoffman aumentaram a consternação, adicionando ao efeito de incredulidade a consciência aguda da precariedade – aparentemente mais de duas décadas de sobriedade foram uma capital insuficiente para suster a recaída.

Hoffman foi largamente elogiado pela versatilidade e pela profundidade que conferia aos personagens que encarnava. Na definição de Bruce Weber, tratava-se de “um camaleão de cores especialmente vívidas em papéis que exigiam que ele fosse pouco atraente”. Por seu lado, Pedro Mexia escreveu na última edição do Expresso  que ele “desaparecia nos papéis , ou então mostrava-se frágil, atormentado, frustrado, patético, quase dostoievskiano. Isso devia-se à sua coragem, à entrega que não era um ‘método’ mas uma disponibilidade”.

Da sua filmografia que pude visionar, recordo particularmente os seus desempenhos em Jogos de Prazer, Felicidade (corrosivo retrato dos subúrbios de Todd Solondz, que permitiu ao actor uma performance entre o patético, o solitário e o abjecto), Magnólia (onde também brilhava a grande altura a extraordinária Julianne Moore), Capote (notável transformação física, mimética sem cair na caricatura, associada a uma subtileza interpretativa que permitia sublinhar o narcisismo do escritor sem cair na simplificação) e Dúvida (um festival de representação, duelo de gigantes com Meryl Streep, com uma Amy Adams à altura).

Por temperamento ou por opção artística, Philip Seymour Hoffman pareceu ter uma certa apetência por retratos ácidos ou pungentes de misfits, criaturas do mundo real longe do cânone do cinema hollywoodesco, com os seus retratos assépticos da girl next door  e do all american boy. É por isso que encaixa tão bem nele uma frase que David Foster Wallace escreveu em A Piada Infinita: “Uma coisa parecida com uma sombra surgia lado a lado com a vividez e a lucidez do mundo”.

 

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