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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

CHARLES DU CHARME

Julho 09, 2014

J.J. Faria Santos

Pode ser a voz contra o silêncio e em duelo amigável com Joel Xavier na “Gaivota”. Ou as palavras de Ary acompanhando as notas em cascata ao piano na “Estrela da Tarde”. Ou também as “Palavras Minhas”, recriadas por Bernardo Sassetti em registo jazzy, cantadas com a delicadeza do crooner  e a convicção do poeta. Ou ainda a “esperança acesa atrás do muro” na canção “No Teu Poema”, na qual o fadista encontra potencial para ser um grande êxito internacional. Ou o “Homem na Cidade” que “agarra a madrugada” com a paixão com que o próprio Carlos do Carmo agarrou o fado sem se deixar manietar por ele. Por tudo isto, Rui Vieira Nery definiu-o, em 2003, como alguém que “mergulha numa tradição de que é um pilar fundamental, mas que se afirma ao mesmo tempo, a partir dela, como o mais consistentemente experimental dos jovens fadistas portugueses”. E é por isto também que chamar fadista a Carlos do Carmo não o limita porque o seu fado é inclusivo e universal, tradicional e contemporâneo. E o seu canto não desvirtua o fado porque se alimentou das suas raízes e dedica-se a expandi-lo com um respeito que não exclui a irreverência.

A atribuição do Grammy  pela sua carreira parece ser (permitam-me a leitura muito pessoal) apenas a confirmação prática do que ele canta no “Fado Ultramar”: “Dizem ser próprio da noite / Que os astros se acendem / Sei que pressinto na noite / A alegria chamando: Vem!”. Da quase bossa-nova do “Cacilheiro” à sumptuosidade orquestral de “Canoas do Tejo”, da ternura de “I Giorni dell’Arcobaleno” à cavalgada heróica de “La Valse à Mille Temps”, Carlos do Carmo, sem vedetismos mas com rigor, competência e brilhantismo, evidencia-se como uma estrela. Da tarde, de todas as horas, mas sobretudo da noite. Quando se acende e nos ilumina.

 

 

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