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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

BOAS COISAS MÁS E COISAS PURAMENTE MÁS

Novembro 19, 2014

J.J. Faria Santos

Contrariamente ao que sucedeu com Sete Palmos de Terra (com lugar garantido no cânone televisivo), nunca fui um espectador fiel da criação seguinte de Alan Ball, True Blood. Mesmo tendo em conta as possibilidades romanescas do universo vampiresco, com a evidente alusão às fricções geradas pelos estilos de vida das minorias ou à disseminação de fenómenos de contágio, ficou sempre abaixo das expectativas. Porém, o que me chamou de imediato à atenção foi o soberbo genérico, uma montagem frenética de imagens algo caóticas, representando desde cerimónias religiosas a animais em decomposição, acompanhadas por um irresistível tema musical. Os primeiros cinco versos do tema Bad Things, composto e interpretado pelo americano Jace Everett, são um autêntico compêndio de sedução, ansiedade e desejo: “When you came in the air went out / And every shadow filled up with doubt /I don't know who you think you are / But before the night is through / I wanna do bad things with you”. Reparem no impacto: uma pessoa entra e outra fica sem fôlego. As dúvidas (agir ou não agir) adensam-se nas sombras, porque não se conhecem. Mas antes que a noite se fine, coisas más vão acontecer entre os dois. Boas coisas más.

 

Coisas más prometeu António de Albuquerque fazer a Filipe Alves. “Vou-te aos cornos”, vociferou ele. “Vais parar a um hospital”, ameaçou. Mudámos de pecado capital. Aqui não é a luxúria que está em causa, mas a ira. Abespinhado por um artigo que o jornalista do Diário Económico escrevera questionando as opções do Governo, Albuquerque proferiu estas ameaças, entremeadas com insultos em vernáculo, caso Alves persistisse em meter a sua “mulher ao barulho”. Perante este exemplo de pundonor cavalheiresco, protegendo a acção e o legado da governante, é caso para dizer, actualizando uma frase do passado, quem se mete com a ministra das Finanças, leva do marido!

 

Ventos maus sopram do Leste, diz-nos George Soros, gritando: Acorda, Europa (The New York Review of Books, edição de 20 de Novembro de 2014). Alerta que a Rússia representa “um desafio fundamental aos valores e princípios sobre os quais a União Europeia foi originalmente fundada”, e que está a tirar partido da “relutância” que os Estados Unidos e a Europa demonstram em ser envolvidos num conflito militar. Soros explica que o argumento de que negociando com Putin se conseguirá evitar a deflagração de um conflito militar não tem base factual, dado que ele “recorreu repetidamente ao uso da força”, e fá-lo-á de novo a menos que enfrente resistência. Está na hora, diz ele, de os membros da União Europeia “acordarem e comportarem-se como países indirectamente em guerra”. 25 anos depois da queda do muro de Berlim, uma nova barreira ameaça erguer-se, uma nova cortina de ferro.

 

Angelina Jolie é boa. A sua actividade humanitária ao serviço das Nações Unidas já contabiliza mais de 50 missões, sendo particularmente útil a sua enorme capacidade de criar empatia. A que se junta um trabalho sério de preparação: estuda os assuntos e aconselha-se com peritos da organização e especialistas em política internacional. Quem o diz é Janine di Giovanni, a jornalista que a entrevistou para a edição de Dezembro da Vanity Fair, e que a interrogou acerca de uma futura carreira na política. Embora desvalorizando a questão, a resposta não foi no sentido da exclusão liminar, alegando que na actividade humanitária tem de se ter em consideração a política. No final do artigo, a jornalista faz referência a um encontro de Jolie com António Guterres, apontado como um possível futuro secretário-geral das Nações Unidas (“…a man some believe has a chance to be the next U. N. secretary-general”).

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