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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

A VISITA DO BRUTAMONTES

Maio 22, 2018

J.J. Faria Santos

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“Aprendi que o silêncio é de ouro”, tinha declarado ele ao Expresso. Mas isto foi antes de irromper pelos nossos ecrãs, qual visita inesperada, e encetar um longo, pausado e tenso monólogo em que distribuiu culpas. Aos jogadores que, inconscientes, desafiaram as claques (a clique presidencial); aos accionistas de reputação duvidosa que não reconhecem o seu génio; aos políticos que não mostraram solidariedade; à imprensa que promove campanhas terroristas contra ele; aos adeptos que já não são o seu “exército” (já tinha explicado que nunca tinham comido do “mesmo prato” e já lhes tinha recomendado que chamassem “nomes à família” e não a ele. Mas não é ele próprio, Bruno de Carvalho, que diz que o Sporting é a sua família?).

 

O discurso caótico do (ainda) presidente sportinguista dispersa-se por incontáveis derivações. Vai do acontecimento “chato” e quase trivial (que entretanto sofreu um upgrade para “acto criminoso e hediondo”) para o drama familiar no fôlego de uma frase. Vai da denúncia da manipulação da comunicação social à constatação de que Portugal (nada menos que um país inteiro faz jus à sua grandeza) quer “destruir o seu ‘enfant terrible’”. Como se fosse necessário. É que ele parece programado para a autodestruição.

 

Ele diz que é diferente, “realmente diferente”, que “não tem negócios nem negociatas” e que só quer ser presidente do Sporting. E conclui: “Sou uma ilha deserta linda de morrer no meio do oceano num planeta de um só continente onde toda a gente se conhece.” Ocorre-me que uma ilha deserta pode ser um desterro cruel para um populista demagogo, mas a tecnologia moderna permite a propagação e amplificação das mensagens a partir de variadas plataformas insusceptíveis de serem amordaçadas. Na verdade, o que ele é cada vez mais é um incontinente à deriva, enredado na verborreia inconsequente, esbracejando furiosamente para se manter à tona do mar encapelado.

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