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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

A DONA DO PEDAÇO NA CORDA BAMBA EM TERRA BRAVA

Janeiro 14, 2020

J.J. Faria Santos

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Joacine “ditatorial”, Cristina à Presidência, Pinto Luz fake news, Raquel à beira de um ataque de nervos e Gama detido por violência doméstica. A novela do país real está mais emocionante que nunca. Prepotência, megalomania, ambição, drama e violência – os ingredientes do sucesso estiveram em exibição nos corredores do poder e nas telas televisivas.

A deputada do Livre já tinha declarado ao Expresso ser “o desconforto”, no que poderia ser interpretado como o símbolo da sua postura interventiva e reivindicativa, sem receio de abordar assuntos polémicos ou controversos. Algo inesperado é que esse desconforto se tenha virado contra ela. A tentativa de Joacine Katar Moreira de impedir a publicação de uma fotografia oficial de uma comissão parlamentar é apenas o último capítulo de uma sucessão de incidentes infelizes onde o estilo e os tiques de prima-dona se sobrepuseram à razão de ser da sua presença no Parlamento: acção política consistente e consequente.

A possibilidade de uma carreira política nunca tinha passado pela cabeça de Cristina Ferreira até que a vox populi tornou credível essa hipótese. Primeiro, entreteve-se a imaginar uma carreira autárquica, agora não lhe parecerá descabido um assento em Belém. Conforme confessou em entrevista à Visão, não se acha com capacidades para primeira-ministra, mas para “representar todos os portugueses” conseguiria preparar-se e não falharia. A provedoria dos afectos de Marcelo (e a elevação da selfie ao estatuto de ícone) parece ter reduzido a magistratura presidencial a isto: uma celebridade em representação dos portugueses manifestando-se através da omnipresença e da distribuição de cumprimentos.

Miguel Pinto Luz, no âmbito da sua candidatura à liderança do PSD, publicou nas redes sociais um vídeo simulando uma notícia de um canal de informação, onde era apresentado como tendo passado à segunda volta, no qual constavam fotografias de figuras como Marques Mendes, Miguel Sousa Tavares e Clara Ferreira Alves e supostas declarações delas acerca do candidato. É certo que logo no início da peça o próprio Pinto Luz se refere a ela como uma “reportagem fictícia” (emitida muito antes dos resultados serem sequer conhecidos), mas não se percebe o que pretenderia alcançar com esta mistura de fake news com um desejo mascarado de profecia. Clara Ferreira Alves, que não apreciou que lhe tivessem inventado a declaração “Pinto Luz mostra boa preparação”, não foi meiga na reacção e tratou de declará-lo “um idiota sem escrúpulo moral”.

Já sabemos que as personagens se cruzam ao sabor das intrincadas incidências do guião. Cristina Ferreira, ainda não em modo presidencial mas no pleno uso das suas capacidades afectivas, foi a anfitriã de uma Raquel Tavares à beira de um ataque de nervos. Explicando estar cansada do ritmo da vida artística, e do impacto que ela teve na sua vida privada, a fadista anunciou o fim da sua carreira. Para os seus admiradores (nos quais me incluo) resta a esperança de um futuro reavaliar da decisão, até porque ela gosta muito de cantar e “nunca nada é definitivo”.

Armando Gama, que também deve gostar muito de cantar Esta balada que te dou e outros temas, foi detido por violência doméstica (“agredia física e psicologicamente a companheira” na presença do filho de cinco anos), tendo saído em liberdade após a aplicação de medida de coacção, que determina o afastamento e a proibição de contactar com a vítima. Terá agora tempo para meditar sobre as agruras da vida conjugal e sobre o destempero dos ciúmes que descambam em comportamentos inadmissíveis. Poderá sempre actualizar a letra do seu grande sucesso para Esta estalada que te dou.

 

 

Nota: Ao assinalar a publicação nº500 deste blogue, aproveito para agradecer a todos os leitores em geral, e aos subscritores em particular, a disponibilidade que têm tido para ler, reagir e comentar. Seja por interesse, curiosidade ou mero acaso, a vossa participação é essencial para a vitalidade de um espaço que, desde o início, escolheu abordar um leque variado de assuntos com um estilo por vezes incisivo ou irónico, mas sem nunca recorrer ao insulto ou à agressividade gratuita. E se é verdade que este é um espaço de liberdade (onde a escolha dos temas não está dependente da actualidade, das modas ou das hipotéticas preferências de leitores numa busca desesperada por visitas e visualizações), não o é menos que sem aqueles não faria sentido a existência do No Vagar da Penumbra.

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