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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

A ANTESTREIA DA SILLY SEASON

Julho 08, 2018

J.J. Faria Santos

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Porque não invadir a Venezuela? Eis a interrogação com que o intrépido Donald terá interpelado os seus conselheiros, em Agosto do ano transacto, numa reunião onde se discutiriam possíveis sanções. Alertado para os riscos de desestabilização da região (já para não falar da despicienda questão meramente burocrática da justificação de uma acção militar hostil), o magnata irascível não se deu por convencido. À margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, abordou vários líderes, entre os quais o presidente da Colômbia, certificando-se de que eles não estavam interessados em que ele pusesse em marcha os planos para a invasão. Os conselheiros e membros do seu gabinete revezaram-se nos argumentos, mas o que pode a sensatez contra a vontade de usufruto de um poder ilimitado? Poderiam ter arregimentado a capacidade de influência de Ivanka. Esta, por sua vez, até poderia procurar o aconselhamento da comunidade venezuelana radicada nos Estados Unidos. Sei lá, a Carolina Herrera, por exemplo.

 

Ao contrário da Venezuela, a Coreia do Norte possui armamento nuclear, pelo que nem o destravado Donald se atreve, seriamente, a ponderar invadir o país asiático. Em vez disso, escreve cartas a Kim Jong-un e oferece-lhe um CD do Elton John com o tema Rocket Man. Longe vai o tempo em que Trump era “mentalmente perturbado”,“gangster” e “velho”, e Kim “louco”, “baixo e gordo”. O certo é que esta espécie de Keeping Up With The Trumps continua a bater recordes de audiência. Infelizmente certos detalhes continuam envoltos na bruma do segredo de Estado, nomeadamente a magna questão de sabermos se Donald demora mais tempo a pentear-se que Melania.

 

E por falar em magna questão, Portugal debate com afinco e pundonor a cedência por parte da Câmara de Lisboa de um terreno para estacionamento da frota automóvel da Madonna e dos seus colaboradores. No Expresso, Daniel Oliveira pronuncia-se a favor da cedência; já Clara Ferreira Alves, em prosa de recorte queirosiano e ironia abundante, desanca no Medina e explica que “socialismo é generosidade e abertura” e que “uma pessoa muito rica tem direito a ser muito estimada”. O argumento do nosso provincianismo e deslumbramento com os famosos também abunda nas redes sociais e fora delas. Claro que repetir, cada vez que se pronuncia o nome de Cristiano Ronaldo, que ele é o melhor jogador do mundo não é provincianismo, é um facto indesmentível e um boost para o nosso orgulho. Da mesma forma, encarar um aperto de mão de Marcelo a Trump como um acto épico, ou uma sua réplica acerca da impossibilidade de CR7 ser eleito presidente em Portugal como o supra-sumo da verve não é provincianismo, embora se possa aproximar da idolatria. (E não será isto insultuoso para o melhor jogador do mundo? Não, porque foi dito pelo melhor presidente do mundo). Quanto a Trump, uma hora depois do encontro, deve ter magicado: Mar-celo, onde é que isso fica? Só conheço Mar-a-Lago em Palm Beach…

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