Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

SARAMAGO: AUTOR DE SI MESMO

Junho 19, 2011

J.J. Faria Santos

José Saramago tinha muito de incomum: a capacidade de efabular, o domínio imperial da palavra, a sábia mescla de erudição e sabedoria popular (que houve quem confundisse com populismo), tudo vertido num ensemble de oralidade barroca. A música das suas palavras tinha como consequência que para ler Saramago fosse preciso saber respirar na altura certa. Então, o céu nublado composto pela subversão das regras gramaticais e da pontuação deixava o sol da criação literária exibir todo o seu esplendor. Quando morre um escritor, vai-se a voz e fica a palavra. Que perde dinamismo mas não fulgor. Perdura a provocação mesmo sem a possibilidade da tréplica, como perdura a memória mesmo sem o alimento diário da presença materializada. Passou um ano desde a morte de um autor de si mesmo, que viveu em pleno usufruto do seu livre arbítrio, não dispensou a interpelação da consciência dos homens, nem permitiu que eles se refugiassem na mansarda dos desígnios divinos.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D