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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

SÓCRATES E.K.I.A.

Junho 04, 2011

J.J. Faria Santos

Debruçada sobre o microfone, expressão dura, voz cortante encharcada em ressabiamento, ou em júbilo antecipado pelo momento de compensação de frustrações passadas, Manuela Ferreira Leite clamou: "Peço desculpa ao Pedro, mas o que me preocupa não é escolher um primeiro-ministro, é que Sócrates saia". Esta extraordinária afirmação, notável pela clareza com que exprime o sentimento de quem a proferiu, mais que demonstrar a indiferença pela alternativa no interior da alternativa, evidencia o carácter plebiscitário destas eleições. Falhada a hipótese de derrotar Sócrates por falta de comparência, acenando com o exemplo Zapatero, que a ser seguido pelo ainda primeiro-ministro rapidamente conduziria a acusações de cobardia em acto de fuga, restava abatê-lo no campo de batalha. Mesmo com o país à beira da insolvência e um desgaste de seis anos de governação foi necessário convocar todos os barões, senadores e ex-líderes (incluindo essa autêntica "célula adormecida" que é Fernando Nogueira). Na noite de 23 de Março de 2011, no seu site, já a Economist colocava, a encimar um artigo sobre a demissão do governo, o título "A morte de Sócrates". Agora que a alternância democrática se anuncia, embora ainda faltem a serenidade e o distanciamento para fazer um julgamento justo dos seus mandatos, eis uma pequena amostra de opiniões acerca de um político que convocou todos os ódios e foi comparado a Hitler, Saddam e Drácula.

 

"Não sei se Sócrates é fascista. Não me parece, mas, sinceramente, não sei (...) o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas." (António Barreto, Público, 6/01/2008)

 

"Como primeiro-ministro, tem mostrado coragem política e capacidade de decisão. Depois de Cavaco Silva, claramente superior ao engenheiro Guterres e aos senhores Barroso e Lopes." (Mira Amaral, Expresso, 5/01/2008)

 

"(...) considero José Sócrates um político determinado, com capacidade de decisão e execução."(Paulo Azevedo, Expresso, 5/01/2008)

 

"(...) nele nunca é possível confiar. Não é possível selar um acordo com um aperto de mão, porque no minuto seguinte já o está a trair. Não é possível estabelecer princípios comuns, porque não tem princípios." (José Manuel Fernandes, Público, 18/03/2011)

 

"Ninguém pode é acusá-lo de querer baldar-se quando o exercício do poder, seja quem for que o exerça, não convém. (...) Foi um primeiro-ministro corajoso e inteligente. Achar que Sócrates é culpado - e que removê-lo chega para nos poupar - é uma estupidez de todos os tempos." (Miguel Esteves Cardoso, Público, 24/03/2011)

 

"Manda a verdade que se diga que, de 2005 a 2009, José Sócrates chefiou aquele que foi, talvez, o único governo democrático que tentou, pelo menos, lançar as bases das reformas de que o país precisa há décadas." (Miguel Sousa Tavares, Expresso, 29/03/2011)

 

"(...) José Sócrates, o artista consumado de todo o jogo que envolva engano, ilusão, dolo, um homem muito perigoso para Portugal, ameaça não ter esgotado a sua capacidade de fazer mal ao país." (J. Pacheco Pereira, Público, 30/04/2011)

 

"O Hitler tinha o povo atrás de si até à derrocada, até à fase final da guerra. Faz parte das características dos demagogos conseguirem arrastar multidões. José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtual em que só ele tem razão." (Eduardo Catroga, Público, 11/05/2011)

 

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