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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O MEDO E A SOMBRA

Dezembro 19, 2013

J.J. Faria Santos

It’s Christmas time, there’s no need to be afraid / At Christmas time, we let in light and we banish shade, canta-se no início de Do They Know It’s Christmas, tema celebrizado pela Band Aid. Seremos capazes de nos abstrairmos da dimensão fantasmagórica das sombras, ou estaremos condenados a partilhar o leito com uma companhia que nos tolhe  (Quem dorme à noite comigo / é meu segredo (…) O medo mora comigo / mas só o medo, revelou-nos Amália).E o que será que nos assusta tanto? Provavelmente, a possibilidade de perdermos tudo aquilo que valorizamos. Por pouco que seja. Aguentamos uma estocada aqui, um safanão acolá. Mas uma derrocada global, um falhanço descomunal, deixa-nos à beira do precipício. Ainda para mais numa sociedade que nos impinge a felicidade em néons.

José Tolentino Mendonça (Expresso – Revista – 14/12/2013) diz-nos que “preferimos atirar a felicidade para o plano do acaso ou das superstições, como se ela dissesse respeito à matemática caprichosa do destino” e que temos de aceitar “que a felicidade supõe uma aprendizagem”. (Posso ser o porta-voz dos comodistas e lamentar que esta competência humana não seja inata? Admito, porém, que o processo de aprendizagem contribua decisivamente para a ventura. Para a alcançar, é preciso procurá-la, com método ou com afinco. Sigamos, então, os americanos, esse povo empreendedor e optimista, que até inscreveu na Constituição a busca da felicidade.)

Almejar a felicidade enquanto estado permanente, constante, sempre me pareceu um excesso de ambição ou uma cedência ao irrealismo. Em sentido contrário, sucumbir ao pessimismo de uma existência vivida como um vale de lágrimas, é um sinal de desistência que deve ser vivamente desencorajado e revertido. Se virmos atentamente, multiplicam-se quotidianamente os sinais da nossa relevância na arquitectura dos nossos pequenos mundos. Podem, esses sinais, não nos conduzir ao júbilo, ou ao êxtase, mas o testemunho de que somos uma peça numa engrenagem que não nos ignora, nem desvaloriza, reafirma a pujança da nossa individualidade num colectivo que nos acolhe.

Deixemos, então, o medo na sombra. Ousemos transformá-lo na prudência que acompanha a coragem. A coragem de não desistir.

 

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