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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

A ANDRÓIDE, A PORCELANA E A TEMPESTADE

Dezembro 05, 2013

J.J. Faria Santos

Os motivos de inspiração vão da “ideia de Ennio Morricone a jogar cartas com Duke Ellington” até à “cena do Jeep no filme Carmen Jones”, passando por Stevie Wonder e Michael Jackson. Os temas foram-lhe entregues pelo seu alter-ego, Cindi Mayweather, uma heroína andróide. Para a concretização do projecto, Janelle Monáe requisitou as colaborações vocais de Prince, Erykah Badu, Esperanza Spalding, Miguel e Solange.

The Electric Lady  tem uma sonoridade cinematográfica, oscilando entre a mensagem de empowerment  dos chick flicks  e os arrebatamentos amorosos da comédia romântica com uma pitada do visionarismo da ficção científica. Em Ghetto Woman, prega-se as virtudes da persistência e da resistência (“Hold on to your dreams”), e em We Were Rock & Roll evocam-se tempos de ilusão e crença em que “tínhamos vinte e um anos e julgávamos ser donos do sol”. Para além de ter criado uma sonoridade original, Janelle Monáe tem elasticidade vocal e um timbre bastante agradável, sendo extremamente competente nas notas mais altas, sem cair na estridência ou na acrobacia (o que é particularmente verificável no tema Victory . The Electric Lady  é um notável exemplo do que de melhor se faz no âmbito da música negra contemporânea ( do r’n’b à balada soul ), aquela que se banha no classicismo para desbravar novos rumos.

 

Eles já tinham a porcelana (China Forbes). Agora adicionaram a tempestade (Storm Large). A nova aquisição do colectivo Pink Martini interpreta no mais recente álbum do grupo uma surpreendente versão do clássico Quizás, quizás, quizás. Storm, uma ex-roqueira, em vez de emular o ritmo sincopado da fúria latina (ou o desespero lacrimoso da mulher despeitada) entrega-se a uma recriação com souplesse, contida e langorosa. Com igual competência, atirou-se a uma versão mais convencional de Sway , bem como a uma melodia tradicional romena. Por seu lado, China Forbes brinda-nos com duetos com Rufus Wainwright e Philippe Katerine, para além de recuperar um clássico de Irving Berlin. O CD encerra com a participação especial da veterana Phyllis Diller, interpretando um tema de Charlie Chaplin: Smile. A ausência de frescura é largamente compensada pela maturidade e intensidade interpretativas.

Fazendo jus ao espírito universalista da banda, para além das línguas inglesa e romena, em Get Happy  canta-se também em francês, espanhol, alemão, japonês, chinês, turco e farsi. O fundador e pianista Thomas Lauderdale, citado pela jornalista Helen Brown no The Telegraph, explica que os Pink Martini sendo fundamentalmente uma banda americana representam uma “América mais inclusiva”.

 

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