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NO VAGAR DA PENUMBRA

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DISPUTA BÁRBARA

Novembro 07, 2013

J.J. Faria Santos

Em entrevista à revista Maria (é preconceito meu ou existe algo de extravagante no facto de um ex-ministro da Cultura consentir em ser inquirido por uma revista feminina acerca da sua vida privada em registo confessional?), Manuel Maria Carrilho afirmou: “…sou um velho nietzscheniano desde os meus 16 anos: tudo o que não me mata torna-me mais forte”. Esta alusão ao filósofo alemão fez-me recordar uma das suas máximas: “Na vingança e no amor a mulher é mais bárbara que o homem” (Além do Bem e do Mal , Friedrich Nietzsche, Publicações Europa-América).

Este Secret Story VIP  em que se transformou a história do desmoronamento do casamento do professor universitário com a vedeta televisiva tem todos os ingredientes de um reality show, mostrando que o circo das emoções desordenadas e exacerbadas não tem escrúpulos de classe. Tudo serve de arma de arremesso, independentemente do grau de relevância, veracidade ou verosimilhança: violência doméstica, mau feitio, negligência paternal, alcoolismo, angústia pela juventude fugidia, enumeração de operações plásticas e outros procedimentos estéticos, revelação de cargos recusados por alegada ausência de preparação, etc. Neste particular, a entrevista de Carrilho é um autêntico catálogo. Dir-se-ia que ele, à semelhança dos estrategos militares americanos a dada altura, aposta numa campanha de “choque e pavor”, visando a desqualificação do outro pelo tremendismo das evidências.

Não é avisado, para o observador comum, tomar partido nesta disputa. Não só porque o universo dos sentimentos traídos é terreno minado, mas também (e sobretudo) porque raramente há inocentes absolutos nos processos de destruição. Existem, claro, diferentes graus de culpa. Algo que só o tempo, e eventualmente as averiguações policiais e judiciais, poderão determinar. Poderemos interrogar-nos se algum dia saberemos a verdade e que verdade, mas, mais importante, deveremos querer saber a verdade? Não deveria a intimidade, mesma ferida e violada pelos protagonistas, ser preservada dos instintos mais primários da populaça? De uma maneira ou de outra, urge que não caiamos na armadilha do dogmatismo. Como o próprio Nietzsche escreveu: “Admitindo ser a verdade uma mulher – não será bem fundada a suspeita de que todos os filósofos, ao serem dogmáticos, mostraram conhecer mal a mulher?”

 

 

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