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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O ADN DE MADONNA

Abril 22, 2012

J.J. Faria Santos

É relevante convocar a opinião da crítica especializada quando, a pretexto do seu novo disco, se pretende abordar o fenómeno Madonna? A resposta só pode ser afirmativa, dado que a polémica excessiva que sempre a rodeou desviou o foco do núcleo do seu trabalho, contribuindo para uma visão superficial do seu contributo artístico para o universo da pop, assente, quase exclusivamente, na convicção de que ela é uma produtora de imagens, entre a pastiche e a reinvenção, e a música seria uma espécie de subproduto ao serviço da construção do ícone.

No Público, Vítor Balenciano deu-lhe duas em cinco estrelas e acusou-a de já não antecipar as grandes tendências, enquanto que, no Expresso, mais benevolente, Jorge Manuel Lopes deu-lhe três estrelas, na mesma escala, considerando que MDNA  é “uma escorreita celebração do hedonismo sob as luzes da pista de dança”. No Guardian , Alexis Petridis, dá-lhe a mesma classificação, considerando-a uma “imponente presença no absoluto centro da pop”, e Nick Levine, na BBC, acha que o novo trabalho tem uma sonoridade mais “contemporânea que inovadora”, acabando por ser, porém,  “não apenas um bom álbum pop, mas também um bom álbum de Madonna”. Kathy McCabe, editora de música do Daily Telegraph, acha que MDNA  reúne em si as  inúmeras facetas da cantora, vendo neste novo trabalho um desvio para territórios mais “negros, arriscados e duros” do que os preferidos pelos seus pares, sobretudo da nova geração, que preferem navegar no revivalismo do euro-house da década de 90. Conferindo-lhe um sete, numa escala de zero a dez, Priya Elan, do New Musical Express , vê no “noir-house” de “Gang Bang” e no “trippy beat” de “I Don’t Give A” evidência do material “mais visceral” alguma vez feito por ela. Por fim, num lista que não pretende ser exaustiva, Joe Levy, na Rolling Stone, nota que “sete em dezasseis canções abordam directamente a sua separação” e conclui: “a música dela foi sempre acerca da libertação da opressão, mas pela primeira vez a opressão é interna: perda e tristeza”.

A harmonia clássica de “Falling Free”, a concepção soberba das festivas “Turn Up the Radio” e “Beautiful Killer”, a tonalidade minimal da bélica “Gang Bang” e o  mid-tempo  mutante de “I fucked up” destacam-se num CD onde pululam trechos que ficam no ouvido. Apontamentos como o final do tema “I Don’t Give A” mostram que Madonna recompensa os que não desistem de esperar o inusual.  

Para os que acham que aquela a quem Norman Mailler apelidou de “Sex Queen of America” cria música descartável, talvez fosse aconselhável uma abordagem menos preconceituosa. Joe Levy , na crítica acima referenciada, encontrou em MDNA  uma profundidade que uma audição sucessiva faz emergir (“the music has depth that rewards repeated listening”).

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