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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

A PICARETA FALANTE DE FANCARIA

Novembro 30, 2025

J.J. Faria Santos

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António Guterres, pelo domínio dos dossiers, pela velocidade de raciocínio, pela capacidade de argumentação, mas sobretudo pela fluência discursiva, foi apelidado por Vasco Pulido Valente de “picareta falante”. André Ventura partilha com Guterres a eficácia do discurso, mas a ausência de rigor argumentativo, o sacrifício da verdade em favor do soundbite, a linguagem pejada de chavões populistas e, principalmente, a ausência recorrente de propostas credíveis e viáveis transformam-no numa espécie de picareta falante de fancaria.

 

O candidato multiusos do Chega, bully encartado, é, simultaneamente, uma flor de estufa. Isto ficou também evidente no recente debate presidencial com Catarina Martins. Ele pode chamar traidores aos outros a torto e a direito, dizer que “perderam a mama”, que garantiram “um tachinho”, ou “que defendem o islamismo que está a invadir a Europa”, mas não lhe chamem “tonto” (leviano, “que tem ideias falsas sobre a realidade”) ou “pantomineiro” (exagerado, dissimulado). E, sobretudo, não se riam dele. Catarina Martins, ficámos a saber, tem “riso de eurodeputada”, o que, sugere ele, é importante para os portugueses avaliarem o “carácter” dela. A fixação neste detalhe é tanta que, no mesmo fôlego, Ventura começou pela censura (“Não se ria! Não se devia rir! É uma vergonha estar a rir-se!”) e acabou no incentivo (“Ria-se!). O humor e a sátira tanto incomodam os arrogantes e os prepotentes como os inseguros e os vulneráveis. Já no final do debate, ao melhor estilo inane que define a bancada parlamentar do seu partido, não resistiu a um “chore lá um bocadinho…”

 

Não sei se terá sido por optar sempre por uma performance à beira do overacting, ainda por cima servida por um texto repetitivo e assente em bordões com mofo, que Ventura se fixou na carreira de actriz da sua oponente. Começou por provocá-la (“actriz e má actriz”), avançou para o incentivo com ratoeira (“Faça lá de actriz mais um bocado”), para no final aludir a “actrizes falsas” e soltar um “é mesmo boa actriz”. Como a ironia não é o seu forte, presumo que, em pouco mais de meia hora, tenha percorrido a amplitude da sua escala argumentativa, sacrificando a coerência ao acinte.

 

A dada altura do debate, visivelmente incomodado, o moderador pediu “respeito”. E capacidade de escutar os argumentos do adversário político. A exortação era, evidentemente, dirigida ao candidato picareta falante de fancaria. O mesmo que, no final, paternalisticamente, asseverou a Catarina Martins que “se se portasse bem, não tinha tantas notícias falsas contra si”. Talvez com “3 salazares” se possa fazer com que as pessoas se “portem” bem. Longe vai o tempo em que a defesa da cortesia, da educação e das boas maneiras na política parecia uma excentricidade de fãs do conceito de gentlemanship. Hoje é condição essencial para a defesa do regime, assaltado pelas hordas conquistadoras do TikTok.

 

Confesso que me ri, sem sombra de vergonha, com o dado da sondagem do Expresso que aponta que os inquiridos consideraram que André Ventura é o candidato que “mais se preocupa com as pessoas”. A melhor definição do estilo do próprio Ventura está na frase que, numa espécie de acto falhado, ele dirigiu a Catarina Martins: “Fugiu a todas as perguntas para dar a retórica habitual.” Basta arvorar um ar entre o determinado e o belicoso, sacar de uns recortes de jornal, interromper o oponente, largar umas estatísticas, mesmo sem relevância, veracidade ou relação directa com o assunto que se discute e, depois de engatilhar a língua, disparar sucessivamente palavras como “corrupção”, “vergonha”, “traição”, “mamar”, “bandalheira”, “bandidagem”, “ciganos”, “burca”. Ideias e propostas maturadas e exequíveis são excentricidades da política tradicional. Ele veio para fazer implodir o sistema. Se os portugueses acham que André Ventura “se preocupa com as pessoas”, é bom que tenham consciência de que, como o próprio revelou, ele não tem “palavras mansas para dar a ninguém”. Muitos serão chamados e poucos escolhidos. Chegou o anjo vingador para castigar os ímpios. Só os fiéis serão recompensados.

CITIZEN CR7

Novembro 23, 2025

J.J. Faria Santos

President_Donald_Trump_walks_with_Cristiano_Ronald

A figura pública Cristiano Ronaldo não me desperta arroubos de entusiasmo ou rancores avassaladores. Percebo o poder de uma narrativa rags-to-riches e o apelo de uma odisseia pessoal de superação, ainda para mais quando assente numa vontade inquebrantável, na perseverança e num profissionalismo impenitente. Compreendo a dimensão das suas conquistas, os troféus individuais e colectivos que amealhou e os recordes que bateu. Aprecio que tenha o perfil de quem apoia a família e os amigos, e que tenha feito doações a instituições como a Cruz Vermelha e a UNICEF e financiado unidades hospitalares, para além de outros gestos de filantropia. A Bota de Ouro que recebeu referente à época 2010/2011 foi leiloada por 1,3 milhões de euros, verba cujo destino foi o de apoiar a construção de várias escolas em Gaza.

 

Tudo o resto me deixa indiferente ou, quando muito, com uma impressão negativa contaminada por uma certa tolerância, porque afinal a inconsciência, a soberba e a vaidade são características da natureza humana a que nem os aspirantes a deuses escapam. O mesmo pode ser dito do narcisismo, da hipersensibilidade à crítica e da aparente preponderância atribuída ao êxito individual sobre o colectivo, por exemplo. Já para não falar do resto, que não ignoro, mas cujo conhecimento não aprofundo por absoluta falta de interesse. Falo dos carros que possui, do jacto privado, do seu património imobiliário, do facto de ser o primeiro futebolista com uma fortuna superior a mil milhões de dólares. Ou das peripécias que envolvem a corte que o rodeia: da Georgina vedeta da Netflix à estimável carreira publicitária da também seguramente estimável D. Dolores, passando pelos pronunciamentos das irmãs nas redes sociais. 

 

Em circunstâncias ideais, um ícone global e um ídolo juvenil deveria ter noção das responsabilidades acrescidas de ser visto como um modelo a seguir. E fazer-se rodear de conselheiros que, para além de gerirem a sua fortuna ou a agenda mediática, lhe incutissem alguns laivos de consciência política, que o afastasse daquilo que parece ser uma tendência que o aproxima de Trump – uma visão transaccional das relações interpessoais.  Cristiano Ronaldo mostrou-se empolgado por um Donald Trump que para uns já estabeleceu um “regime fascista” (Jason Stanley) e para outros criou um “regime autoritário competitivo” (Steven Levitsky). E prometeu fazer a sua parte, “inspirando as novas gerações a construir um futuro marcado pela coragem, pela responsabilidade e pela paz duradoura”. Pior, claro, foi a sua colaboração com o branqueamento de uma ditadura teocrática. Esperemos que esta “parceria” não seja inspiradora para as novas gerações.

 

Mas o que são estas considerações perante o privilégio de conviver com la crème de la crème, com o homem mais poderoso do mundo ou com um génio como Elon Musk, imortalizado com uma all-star selfie? Ou de degustar num ambiente sumptuoso uma sopa de abóbora com mel ou um carré de borrego com crosta de pistacho?

 

Convenientemente maquilhados, vestidos para brilhar, superestrelas do nosso star system, Gio e CR7 mergulharam alegremente numa bolha de superficialidade e falta de senso. Siiiiiiiiiiiiiiiim!

 

Foto: Daniel Torok

SPINNINGVIVA - INFORMAÇÃO CHAVE NA MÃO

Novembro 16, 2025

J.J. Faria Santos

Luís_Montenegro_2024_V3.jpg

Terá havido um momento-chave em que o Governo decidiu pela relevância de fornecer informação “chave na mão” aos jornalistas, apostar na produção de conteúdos e profissionalizar a gestão das redes sociais. A expressão “chave na mão” é tão ampla que os mal-intencionados poderiam deduzir que o Governo se prepara para proporcionar aos jornalistas os meios para a sua própria descredibilização, a caminho de uma espécie de obsolescência programada. Afinal não foi Hugo Soares que declarou enfaticamente: “São falsas muitas das notícias que são publicadas em muitos jornais que são todos os dias vendidos aos portugueses”?

 

Temos, felizmente, um primeiro-ministro empenhado (“empenhadíssimo”) em “valorizar o trabalho” dos órgãos de comunicação “tradicionais”, desejoso de “incentivar” o jornalismo capaz de “contrariar a desinformação, as fake news e a manipulação desregrada que pulula nas redes sociais, com a aparência de jornalismo” (artigo de opinião no Expresso em 11/10/2024). Seguramente que alguém com este caderno de encargos não pactuará com uma qualquer “informação” institucional “chave na mão” que pretenda ter uma “aparência de jornalismo”. Infelizmente, como acontece com uma miríade de assuntos, Luís Montenegro tem uma flexibilidade argumentativa que evita a cristalização da opinião. No mesmo artigo, confessou achar as redes sociais uma “poderosa ferramenta de comunicação directa”, cuja “utilidade” admite não desconhecer. Trata-se, portanto, de um território comunicacional carregado de desinformação e manipulação, mas verdadeiramente útil.

 

Que não haja confusão! Não se trata de uma “central de comunicação”. A coisa denomina-se “direcção de serviços de comunicação institucional” (diz o Público de ontem; em 31 de Outubro passado, o Expresso chamava-lhe a “recém-criada [para todo o serviço] Secretaria-Geral-Adjunta para a Comunicação Institucional). Não é uma “estrutura politizada”, garante fonte governamental ao Público, assacando-lhe a “obrigação de responder e informar com transparência”. A ser assim, tratar-se-ia de um verdadeiro progresso. Tirando as aparições governamentais programadas de cariz propagandístico e as respostas sui generis do PM (“eu respondo áquilo que entendo que é aquilo que devo dizer ao país”), “responder e informar” são práticas que têm vindo a ser vítimas da avareza dos governantes.

 

Apesar de não ser uma “estrutura politizada”, uma das suas funções será a de medir a “percepção e o impacto das medidas do Governo”. “Um Governo competente tem isto”, explicou o ministro Leitão Amaro. Se o primeiro-ministro alardeou há um ano a vontade de valorizar os mass media tradicionais, o que prevalece agora é a “comunicação directa”, ou “comunicação desintermediada”, conforme declararam fontes governamentais. Não sabemos se as mesmas que, retoricamente, questionaram o Expresso: “Vamos entregar o Estado às mãos dos jornalistas e não fazer nada?”, ou que, desassombradamente, afirmaram que “o jornalismo não pode tudo nem está acima de tudo”. Claro que “tudo” isto pode ser fake news. Como diria o azougado Hugo Soares: “Mas que fontes são estas? Posso acreditar nas notícias? Mas quem são estas pessoas? (…) Terão sido inventadas?”

 

Uma das funções desta direcção de serviços de comunicação institucional será, de acordo com o Público, a de elaborar as “chamadas fact sheets”, um documento conciso, que resume os aspectos essenciais de determinado tópico numa linguagem clara e acessível. Algo que raramente se “vislumbra” nas declarações do primeiro-ministro. Confiemos que esta direcção terá o talento para evitar transformar uma fact sheet numa fact shit.

A GRAMÁTICA CONTEMPORÂNEA DO ÓDIO

Novembro 09, 2025

J.J. Faria Santos

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“Portas escancaradas”. “Reengenharia demográfica”. “Portugueses de ocasião”. “Hoje Portugal ficou mais Portugal”. Expressões que são verdadeiros contributos para aquilo que, no Público, António Guerreiro apelidou de “gramática contemporânea do ódio” aplicável ao discurso sobre a imigração. A manobra política de Montenegro (da qual fez parte a encenada – não sabemos se com o contributo do especialista em styling do ministro Pinto Luz – comunicação ao país com o exclusivo da bandeira nacional) pretende obter dois efeitos: cooptar e canibalizar o discurso do Chega e, simultaneamente, tentar neutralizar a ameaça Passos Coelho, um crítico dos “cálculos eleitorais”, das “preocupações distributivas e das “habilidades orçamentais “ do primeiro-ministro e um cidadão colossalmente atormentado pela perspectiva de os “portugueses se sentirem estrangeiros na sua terra”.

 

“Uma coisa é ser patriota, outra ser nacionalista e xenófobo” (Pacheco Pereira). Estará o PSD “ao mais alto nível a macaquear as teorias da ‘grande substituição’, defendidas pelos partidos nacionalistas e populistas, que querem preservar uma ‘Europa branca e cristã’” (Teresa de Sousa)? Ao deslocar a discussão para o “território da emoção e da irracionalidade” estará o Governo a “mover o combate político para o campo em que [o Chega] é mais eficaz” (Pedro Norton)? Teresa Violante escreveu no Expresso que a nacionalidade “não é uma medalha para imigrantes suficientemente dóceis  ou aculturados. É um instrumento que transforma estrangeiros em membros plenos da comunidade política”. E acrescentou que “a Constituição não hierarquiza cidadãos. O artigo 13º proíbe a discriminação por origem. Não há “portugueses de primeira” nem “’de ocasião’”.

 

André Ventura já disse querer rever a Constituição e instituir a Quarta República. Alimenta um discurso securitário racista e xenófobo, que, em termos gerais, é incompatível com a matriz social-democrata do PSD e com a sua visão europeísta e cosmopolita. E mais ainda com o personalismo cristão advogado por Sá Carneiro, o político que Ventura adora citar. A dissolução do “não é não” de Montenegro, a cavalgada retórica mimética dos slogans do Chega, a primazia das percepções sobre os factos e a preferência por acordos políticos com o partido de Ventura confirmam a deriva radical do PSD de Luís Montenegro. O primeiro-ministro poderá, com natural satisfação, dizer que tal corresponde à vontade do eleitorado, porém, citando Miguel Poiares Maduro, “os votos trazem legitimidade, mas não necessariamente razão”.

PODE ALGUÉM NÃO SER QUEM É?

Novembro 02, 2025

J.J. Faria Santos

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O candidato presidencial é militante de um partido há mais de 45anos. Nele, e em nome dele, exerceu toda uma diversidade de cargos: líder da juventude partidária, membro do Secretariado Nacional, deputado, líder parlamentar, eurodeputado, secretário-geral, secretário de Estado e ministro. Mário Soares e António Guterres “deram sentido” à sua “acção política com uma visão humanista centrada nas pessoas”. “Liberdade, igualdade, solidariedade” são valores que defende. Pugna por um “progresso económico de mãos dadas com a justiça social”. Quer “proteger o Estado Social e reduzir drasticamente a pobreza”. Diz que “aprendeu a importância da escola pública, do serviço nacional de saúde e da segurança social”. Deplora o “agravamento do fosso social. Poucos e cada vez mais ricos. Do outro lado, quase todos, pobres, remediados e uma classe média a ser esmagada”. Na sua primeira declaração após ter sido eleito secretário-geral do seu partido, o agora candidato presidencial afirmou que a sua oposição ao governo de então seria feita “em nome da defesa dos valores de esquerda democrática”. Apesar de tudo isto, o candidato recusa-se, hoje, aqui e agora, a declarar-se de esquerda. Porque considera as categorias esquerda/direita obsoletas ou redutoras? Não. Porque não quer ser arrumado em “gavetas”.

 

António José Seguro diz que quer “unir os portugueses”, e que se dirige a “todos os portugueses, sejam eles de esquerda, de direita, de centro”. Desafiado a definir-se como “laico, republicano e socialista”, como uma das pessoas que deu “sentido à sua acção política”, disse-se “republicano, progressista e humanista”. “Socialista” e “esquerda” são, agora, palavras tóxicas no léxico do candidato. Precisamente porque se trata de uma “candidatura presidencial”. Mas não será natural que um candidato se apresente com todo um lastro de intervenção cívica e de convicções ideológicas que nortearam a sua acção política e que, a partir daí, construa uma proposta que tenha capacidade agregadora de perspectivas diversas que reconheçam nele qualidades para o cargo a que concorre? Seguro diz agora que “as etiquetas dividem as pessoas”. E advoga “uma nova cultura política, baseada no diálogo e no compromisso”. Já assim pensava quando foi eleito secretário-geral do seu partido, mas nessa altura não considerava que as “etiquetas” fossem um problema, afirmando textualmente: “O país necessita de compromissos e de convergências, sem nunca colocar em causa as ideologias de cada um.”   

 

O candidato que percorreu todos os patamares da vida partidária, de militante de base a ministro, afirma “não vir da política tradicional”, no que pode também ser entendido como uma tirada incongruente e populista. António José Seguro, na apresentação da sua candidatura, afirmou solenemente: “Assumo por inteiro e com orgulho o meu percurso e todo o meu passado.” O que torna mais insólito o estatuto de candidato que não ousa dizer a sua inclinação política. Como quem está preso pelas amarras da “partidofobia” ou da “esquerdofobia”.

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