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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

A OBSCENIDADE

Janeiro 21, 2012

J.J. Faria Santos

Ouve-se e tem-se dificuldade em acreditar. Com a expressão toldada pelo incómodo e pelo desagrado com que enfrentou uma simples pergunta (que decerto lhe pareceu excêntrica no quadro de uma imprensa “mansa”), o Presidente da República declarou enfaticamente que as pensões que irá receber não chegarão para cobrir as suas despesas. Fez questão de revelar que recebe cerca de 1300€ da Caixa Geral de Aposentações, mas afirmou desconhecer quanto iria receber do Banco de Portugal. O Expresso noticia que ao nível 18 corresponde uma base salarial mínima que oscila entre os 2343€ e os 3735€ mensais, a que acrescem complementos de reforma que podem chegar aos 4500€. Mesmo tendo em conta os cortes nos vencimentos decorrentes das medidas de austeridade, considerando que em 2009 o Prof. Cavaco Silva auferiu cerca de 140000€, só em rendimentos de pensões, gera perplexidade o anunciado défice no seu orçamento doméstico, sendo que apenas o recurso à poupança evitaria o incumprimento.

E assim, num soalheiro dia de Janeiro, os portugueses, estupefactos, compreenderam que também o senhor Presidente da República tem estado a viver “acima das suas possibilidades”, pelo que, seguindo a terapia recomendada pelo primeiro-ministro, terá não só de “empobrecer” como também de sair da sua “zona de conforto”. Felizmente, Cavaco Silva, fruto não só do seu trabalho mas também de uma astuta gestão da carteira de investimentos (como por exemplo o altamente rentável negócio das acções do BPN, adquiridas por 1€ cada e vendidas por 2,4€) tem um assinalável conjunto de instrumentos de poupança, entre depósitos a prazo, acções e fundos de investimento, que lhe permitirão ultrapassar esta penosa tormenta com a dignidade que um ancião, ainda para mais chefe de Estado, merece.

São declarações deste teor, atrozes na sua inacreditável obscenidade, reveladoras da ausência de um sentido de proporcionalidade e de decoro, que desacreditam as instituições democráticas e alimentam o populismo.

 

 

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