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NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

O CONSULTOR, O COMENDADOR E O ESPIÃO MAÇON

Janeiro 08, 2012

J.J. Faria Santos

 
 
    
 
Credit: Free images from acobox.com
Mata-Hari by Lucien Walery

 

 

No dia 18 de Agosto de 2009, uma  notícia do Público dava  conta de um “clima psicológico de consternação” que se vivia no Palácio de Belém, originada pela suspeita dos serviços da Presidência da República estarem a ser vigiados pelo Governo. O provedor do leitor do jornal acabaria por concluir que a denúncia inicial tinha ocorrido há 17 meses e que, durante esse período, nenhuma prova fora produzida para sustentar a acusação. O Diário de Notícias revelou um e-mail de um jornalista do Público onde se identificava a presumível fonte: Fernando Lima, assessor de imprensa de Cavaco Silva. O caso desenrolou-se em ano de eleições, tendo a então líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, apostado na denúncia de uma alegada “asfixia democrática”.

Fernando Lima, actual consultor do Presidente da República, acaba de publicar um artigo na versão brasileira da revista Campaigns & Elections onde afirma que “uma informação não domesticada constitui uma ameaça com a qual nem sempre se sabe lidar”. O consultor afirma ainda que o poder é a “principal fonte de notícias”. Estas notícias podem basear-se em factos normais (discursos, iniciativas) ou resultarem de “fugas de informação para produzir um efeito de acordo com o objectivo que se pretende alcançar”.

 

“(…) não sei se Portugal fica no euro. E se sair é para o escudo. Tenho o direito de defender o meu património”, afirmou o comendador. Indiscutivelmente. Alexandre Soares dos Santos tem legitimidade para procurar estabilidade fiscal, regimes que protegem o investimento privado e um financiamento adequado. Pode censurar os economistas por só olharem para os números sem pensar nas pessoas e, qual visionário retrospectivo, afirmar que Portugal devia ter pedido assistência externa algures entre 2007 e 2008. Pode até manejar com perícia a arte do planeamento fiscal. O que não pode é, desdobrando-se em juras de patriotismo e declarações de teor político (por natureza subjectivas e sujeitas ao contraditório), surpreender-se com as críticas, como se a natureza da sua acção económica fosse independente da sua assertividade ideológica.

 

Houve um tempo em que a espionagem era tarefa de uma dengosa dançarina holandesa em voluptuosas vestes; agora, enverga o avental, reunindo em nome do triunfo da verdade e do aperfeiçoamento da natureza humana sob uma designação de ressonância musical. O nosso homem, em pleno exercício de funções ou na condição de pretérito espião, pôs em marcha um carrossel de informações, beneficiando uma empresa privada e não poupando vidas privadas. Cereja no topo do bolo: Jorge Silva Carvalho conseguiu, aparentemente, irritar Pedro Passos Coelho ao fazer constar ser seu íntimo e ao arregimentar diversas figuras do partido. Para espírito tão dado às artes musicais, recomendo um hino para a sua loja maçónica, optando por um afastamento dos clássicos numa rendição a uma incontornável figura da música negra norte-americana: Marvin Gaye. O tema? O inevitável “What’s Ongoing on?”.

 

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