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NO VAGAR DA PENUMBRA

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CAVACO: O CHAIRMAN QUE QUER SER CEO

Março 13, 2011

J.J. Faria Santos

O populismo sempre encobriu a sua arrogância, assim como a sólida formação académica serviu de camuflagem à mais descabelada demagogia. O árbitro, o moderador, "o cooperante estratégico"revelou-se, por fim, como líder da oposição, qual chairman que, num gesto de libertação, assumiu os seus irreprimíveis tiques de CEO. Que o diagnóstico do país, certeiro no essencial, mas desprovido de originalidade e equilíbrio, acintosamente ignorando uma crise mundial sem precedentes nas últimas décadas, se tenha aproximado de um manifesto antigovernamental, demonstra, por si só, que o Presidente da República sacrificou o rigor, a verdade e a justeza da sua análise aos seus interesse pessoais. O demagogo populista devorou o estadista; o candidato ressabiado, porventura por ter descoberto que a imprensa portuguesa não é assim tão "branda", corroeu o Presidente institucionalista.

Fez todo o sentido sublinhar que o país vive uma "situação de emergência económica e social", frisar a necessidade de um "programa estratégico de médio-prazo", e, implicitamente, sugerir acordos alargados para a sua execução. Infelizmente, ao colocar-se ostensivamente no terreno do jogo partidário sabotou o seu papel, esse sim estratégico, de mediador e construtor de consensos. O mestre da gestão dos silêncios, habituado aos discursos ambíguos, crípticos e até erráticos, talvez se tenha desorientado com a retórica assertiva agora estreada. Aparentemente, a clareza da proclamação produziu um tal efeito de encandeamento que gerou interpretações "abusivas ou distorcidas".

Enredado na impossível hermenêutica da sua palavra, comprometido com uma agenda ideológica, apostado em remover Sócrates (com o método da magistratura destrutiva), relutante em caucionar Passos Coelho, Cavaco Silva, liberto dos constrangimentos da reeleição, alcandorou-se ao seu pedestal dourado: o de homem providencial, salvador da pátria, cavalgando o "sobressalto cívico".

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