Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

NO VAGAR DA PENUMBRA

NO VAGAR DA PENUMBRA

MISS PORTUGAL - AS "GORDURAS" PODEM ESPERAR

Setembro 04, 2011

J.J. Faria Santos

Era uma vez um candidato que dizia: "Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos:não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro." Era uma vez um candidato que jamais pactuaria com o aumento de impostos de forma "directa ou indirecta", mas que, se tivesse de o fazer, optaria pelos impostos sobre o consumo. Era uma vez um partido que só com um corte de 15% na rubrica de bens e serviços se propunha decepar 1500 milhões de euros na despesa, apenas uma das medidas de um criterioso elenco de formas de cortar nas "gorduras" do Estado. Agora no poder, o chefe do Governo resguarda-se e manda avançar o narcótico ministro das Finanças para anunciar sucessivos aumentos de impostos, ficando os cortes na despesa envoltos em anúncios avulsos e generalistas, pelo menos até Outubro. Dos 8579 milhões de euros previstos de diminuição na despesa, com o objectivo de reduzir o défice em 2012 e 2013, 1372 milhões de euros referem-se a decréscimos na saúde e 1978 milhões devem-se ao congelamento de salários e pensões.

Do núcleo do consenso liberal já se nota a erupção da dissensão. Marques Mendes diz que "por este andar, qualquer dia temos as finanças em ordem mas já não temos economia nem empresas"; António Lobo Xavier frisa a ausência de medidas para dinamizar a economia; António Pires de Lima nota o aumento de impostos que penalizam quem trabalha; Vasco Graça Moura censura "o incomportável sacrifício das classes médias"; Manuela Ferreira Leite lança dúvidas acerca da previsão de evolução do PIB e censura uma política fiscal que "de justiça tem pouco e de eficácia nada".

Vítor Gaspar já fez questão de destacar algo que esteve ausente do discurso pré-eleitoral do PSD - conter a despesa é mais incerto e menos imediato que recorrer ao aumento da receita. Da mesma forma, também afirmou em sucessivas intervenções que as previsões têm uma elevada margem de incerteza. Talvez por isso, o Governo pretende agora cortar a despesa num valor superior em seis mil milhões de euros ao inicialmente acordado com a troika. O que levanta a questão de saber se esta decisão  não irá afectar o já periclitante equilíbrio entre a consolidação orçamental e os estímulos à economia, numa altura em que a própria directora do FMI, Christine Lagarde, alertou os governos para terem cuidado com o "travão orçamental", tendo em conta o seu efeito no crescimento económico.

Em breve, Passos Coelho, numa cena altamente simbólica e edificante, irá à Madeira apoiar a reeleição do responsável por uma parcela significativa do "desvio colossal". Alberto João Jardim, cuja acção governativa é um autêntico catálogo de despesismo, promiscuidade política, prepotência, opacidade e desrespeito pelos preceitos da democracia representativa, verá assim a sua acção legitimada, e o primeiro-ministro terá mais uma photo opportunity para juntar ao seu particular álbum de incongruências, enquanto calcula e estima o efeito na sua credibilidade da erosão do discurso de verdade.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2012
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D