NO VAGAR DA PENUMBRA
21 de Maio de 2017

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Não se pode dizer que ele tenha defraudado as expectativas. Na verdade, superou-as. Só mesmo aqueles que esperavam uma conversão, ou sobretudo o efeito milagroso do cargo para instilar gravitas e bom senso, é que poderiam supor que o candidato especialista em bullying político se transformaria num Presidente sensato. Como se comprova com a sua peculiar forma de exercer o poder, não há forma de qualquer conselheiro, assessor ou amigo íntimo moderar a sua homérica auto-suficiência, o seu brutal pendor autoritário ou a irreprimível incapacidade de reconhecer a sua própria ignorância. Como escreveu David Von Drehle na Time: “Não há limite para as descobertas que uma pessoa pode fazer quando se candidata a um alto cargo sem se preocupar em saber o que ele pressupõe.” Eis a razão pela qual ele não compreende as reacções hostis que as suas decisões provocam ou se espanta com as complexidades do sistema de saúde.

 

Donald Trump, de acordo com o New York Times, disse a dirigentes russos que despedira o director do FBI porque ele era maluco (“crazy, a real nut job”). Mas, e por falar em saúde mental, John Gartner, psiquiatra e professor universitário, disse ao Expresso que “Trump está doente. Sofre de narcisismo maligno”. Esclarece o jornal que esta condição, que é incurável, se distingue do “narcisismo clássico porque inclui paranóia, comportamento anti-social e sadismo”. Já para o professor de Harvard Lance Dodes, “além do narcisismo maligno, ele também sofre de hipomania, dada a agressividade, irritabilidade e arrogância”.

 

Uma das persistentes frustrações do Presidente é o que ele caracteriza como a falta de respeito da imprensa, cujas boas graças ele esperava conquistar depois de eleito. Para o fervoroso twitterati, para o consumidor ávido dos canais de informação, para o eterno promotor da marca Trump, a má imprensa deve constituir um tormento. Que aprendeu a esconjurar com o bordão fake news. A revista Time nota que apesar de permanecer em modo combativo, o Presidente já não utiliza exclusivamente uma estratégia de conflito, embora permaneçam actuais três regras de ouro: quando se está certo, luta-se pelas convicções; a controvérsia ajuda a fazer passar a mensagem; nunca pedir desculpas.

 

Como resistirá a marca Trump a esta aventura (“acontecimento inesperado; sucesso imprevisto; empresa arriscada; acaso; perigo; risco.” - algumas definições propostas pela Enciclopédia Público/Verbo) presidencial? Graydon Carter não tem dúvidas e escreve na Vanity Fair de Abril que “quando a poeira assentar, a verdadeira história começará a ser escrita”. Nessa altura, o homem que é já “o mais ridicularizado do planeta” perceberá que a marca Trump se tornou tão tóxica quanto a marca Madoff.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 14:39 link do post
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