NO VAGAR DA PENUMBRA
13 de Agosto de 2014

                                               Imagem: Vintageprintable

                                                                                          

Estava eu posto em sossego, verificando o meu Outlook, quando deparo com um e-mail da Ipsos, assinado por Sylvia van der Waal, convidando-me a participar num inquérito (“Business Elite survey”) que visaria, basicamente, avaliar a utilização de tecnologia e dos meios de comunicação por parte dos empresários e outros profissionais do mundo dos negócios em 36 países.

Passada a estupefacção inicial que a simples associação do meu nome às palavras “negócios” e “elite” provocou, experimentei alguma consternação pelo facto da Sra. van der Waal ter iniciado a mensagem com “Dear Mr.” seguido do meu nome completo. Esporadicamente, recebo correspondência em língua inglesa em que sou tratado por Mr. Dos Santos, o que me dá um ar exótico de plutocrata africano…

Espicaçado pela curiosidade, e confortado pela prometida relativa brevidade (“15 a 20 minutos”), cliquei no link  para aceder ao inquérito. Sim, na última semana acedi pelo menos um dia ao site  do Daily Beast. Sim, na última semana li em formato papel a Time. Sim, utilizei um ecrã de televisão para ver a CNN. Costumo ler blogs dos outros e também postar no meu. A empresa onde trabalho opera exclusivamente em Portugal e não costumo fazer viagens de avião para o exterior.

Foi apenas nas questões finais que o alcance da palavra “elite” se clarificou. Era-me solicitado (embora me fosse dada a opção de não revelar) que enquadrasse num dado intervalo o meu salário bruto anual e também o valor líquido dos meus bens a preços de mercado actuais ( neste último caso, o primeiro escalão tinha como limite 74.000 € e o último escalão destinava-se aos detentores de bens iguais ou superiores a 7.500.000 € ).

Uma outra pergunta propunha doze afirmações, das quais eu deveria escolher todas as que se aplicassem ao meu caso. Felizmente, a última opção (sim, a treze…) era “nenhuma destas”…  É que eu não tenho um “barco / iate”; nem um relógio que “valha entre 1500 €-7499 €”; nem “uma peça de joalharia” de valor igual ou superior a 7.500 €; nem quadros nem antiguidades (o puzzle da Mona Lisa não conta…); nem sequer um “tablet computer” ou um smartphone, ou um cartão de “membro de um health club “…

Lamento sinceramente ter involuntariamente induzido a Sra. van der Waal a descortinar em mim  ( não sei como , nem por que meios) vestígios de “elitismo”. Mas como um dos quesitos do survey  solicitava a indicação da nacionalidade, a senhora pode sempre especular que eu tivera uma brutal exposição ao BES e fora uma das vítimas do “Portugal’s Banking Disaster”…

publicado por J.J. Faria Santos às 20:44 link do post
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