NO VAGAR DA PENUMBRA
23 de Setembro de 2015

Art-Poster-Political-French-Peace-1919-1920-2.jpg                              Imagem: "L'emprunt de la paix" de Henri Lebasque

                                                (Vintageprintable.com)

 

Bruscamente no domingo passado, fiquei a saber pela pena de Rui Cardoso Martins na sua imperdível coluna na P2, agora chamada Campanha de Ficção, que o primeiro-ministro defendeu ser “muito importante que as mulheres que desejam ter mais filhos sintam que a sociedade lhes reconhece também essa vontade de ajudar o país a crescer sustentadamente”.

Julgava eu que os motivos principais que levavam as mulheres e os casais em geral (não deixemos de fora o macho reprodutor…) a embarcarem no projecto da parentalidade se relacionavam com a realização pessoal, com a possibilidade de materializarem nos descendentes a evidência do amor que os une e ao mesmo tempo continuarem com um padrão familiar tradicional em que se reconhecem, ou até com o amor incondicional pelas crianças.

Para usar um exemplo corrente, com uma protagonista altamente politizada, com noções bem consistentes do que é ou não um acto político, interrogo-me se Joana Amaral Dias terá decidido gerar uma criança para “ajudar o país a crescer sustentadamente”. Duvido. A verdade nua e crua é que a salvação da pátria é um desígnio demasiado avassalador, e sobretudo demasiado abstracto, para entrar nas cogitações dos casais. Este exemplo de tecnocracia dos afectos só podia brotar da cabeça privilegiada de quem usa o patriotismo na lapela.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:06 link do post
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