NO VAGAR DA PENUMBRA
17 de Maio de 2016

JUSTICE.jpg                                                    Fonte: FreeFoto

 

Segundo o Expresso, o Dr. Rebelo de Sousa (como diria o líder da oposição que ganhou as eleições), na sua qualidade de aspersor de afectos e amortecedor de conflitos, “travou um choque entre Governo e Igreja” motivado pela polémica dos contratos de associação. Não, não era ainda a temível ira divina; era apenas uma “posição mais violenta” do cardeal-patriarca. Parece que os colégios católicos representam cerca de um terço dos 3% de estabelecimentos de ensino com aquele género de contratos e, como muito bem sabemos, a hierarquia da Igreja defende com igual determinação a sua liderança espiritual e os seus interesses materiais. Na inauguração da nova sede da Rádio Renascença, no contexto da importância da rádio, D. Manuel Clemente, segundo o Expresso, afirmou que “escutar é muito mais do que ouvir. Implica proximidade e libertar-se de qualquer ambição de omnipotência”. A ironia desta afirmação, que os jornalistas interpretaram como um recado mais ou menos velado sobre os limites do poder, neste caso político (ou seria sobre os limites do diálogo e do consenso?), é que ela pode perfeitamente ser revertida, produzindo um efeito ricochete. “Ambição de omnipotência” é um pecado a que não está imune a própria Igreja Católica.

 

O notável “esclarecimento público” de Fernanda Câncio, publicado pela Visão, demonstra a iniquidade de procedimentos de um órgão de comunicação social (afirmações não sustentadas por factos, títulos enganosos, violações sistemáticas do segredo de justiça, atropelos ao código deontológico, utilização de expedientes processuais para aceder a informação protegida) e a incapacidade de um sistema judicial para cumprir a missão que justifica a sua existência (dissuadir o cometimento de crimes, punir os prevaricadores, aplicar a lei de forma equitativa). Câncio nota a ironia de ter de recorrer à Justiça numa situação em que está a ser atacada com a cumplicidade desta, e insurge-se contra “uma máquina judiciária que permite que o seu poder seja usado por terceiros com intuitos venais e que ao permitir esse uso se contagia dessa venalidade”.

 

A semana passada, Maria Luís Albuquerque enviou uma carta ao vice-presidente da Comissão Europeia pedindo-lhe que Portugal não seja sancionado por não ter atingido um défice inferior a 3%. Passos Coelho terá também intercedido pessoalmente junto de Jean-Claude Juncker. No capítulo das mensagens epistolares, o presidente do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, escreveu a Juncker solicitando exactamente o oposto, ou seja, defendendo a aplicação de sanções aos prevaricadores. Em declarações ao Expresso, Weber amenizou o tom, explicando que o seu objectivo era evitar discriminações por parte do comissário europeu para os Assuntos Económicos, mais concretamente evitar que Moscovici aplicasse a flexibilidade do PEC “apenas a alguns países amigos que partilham da mesma cor política”. Por outro lado, a Alemanha atingiu um excedente externo de 30,4 mil milhões de euros, o que constitui uma violação do patamar dos 6%, sujeita a uma sanção correspondente a 0,1% do PIB. Não consta que a Comissão Europeia esteja a ponderar aplicar qualquer penalização. Como declarou, em entrevista ao Público no passado mês de Fevereiro, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros: “É uma desigualdade de tratamento, a ideia, mesmo que infundada, de que há regras diferentes consoante a geografia ou a ideologia dos Governos. Essa ideia seria fatal para a coesão da UE. É preciso contrariá-la”.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 21:17 link do post
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