NO VAGAR DA PENUMBRA
06 de Dezembro de 2016

magritte_the_oasis.jpg                      "O Oásis" de René Magritte  (Courtesy of Bert Christensen)

                                              

Um artigo de Paul Ames na Politico online explica por que razão Portugal se “tornou um oásis de estabilidade”. Para o autor, o primeiro-ministro escapa incólume às “ameaças existenciais” que muitos líderes europeus e respectivos partidos tradicionais enfrentam, notando a ausência do populismo de extrema-direita e o facto do PS aparentemente poder estar a recuperar eleitorado à esquerda. Claro que Ames reconhece a precariedade da recuperação, chamando a atenção para a “fragilidade do sector financeiro” e para o facto de Portugal ter a terceira maior divida pública da eurozona, o que deixa o país “vulnerável a choques externos”. O crescimento do turismo, a vitória da selecção no Euro 2016 e a eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU são acontecimentos creditados como responsáveis pela criação de uma atmosfera mais desanuviada, a que acresce a bem-sucedida coabitação com Marcelo Rebelo de Sousa, descrito como um hiperactivo e afectuoso ex-comentador da TV (“hyperactive, crowd-hugging former TV pundit”, na deliciosa formulação original).

 

Ames refere, por contraste, que o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho é o líder partidário com a mais baixa taxa de popularidade. Na verdade, a contestação interna parece estar a agudizar-se, ainda que de forma pouco visível. Mesmo alguns elogios que vai recebendo soam a epitáfio (“um homem extraordinário, com uma visão extraordinária” – Carlos Moedas; “o líder do PSD mais parecido, em termos de estrutura de raciocínio, com Francisco Sá Carneiro” – Santana Lopes), mas a notícia da sua morte política pode ser francamente exagerada. Até porque o crowd-huggging Presidente da República já fez saber ao Expresso (só pode ter sido ele, já que não existem outras fontes de Belém) que o centrão já não o entusiasma. O que está a dar agora nas tertúlias marcelistas é a definição de dois blocos, com propostas distintas para o país. Portanto, da corte de Marcelo não sairão incentivos para apear o actual líder. O que, paradoxalmente, pode ser um mau sinal para o PSD. É que Passos é o factor unificador das esquerdas. Se não fosse tão apegado aos provérbios portuguesas, Jerónimo juntar-se-ia a Catarina e proclamariam a uma só voz: better the devil we know.  

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:10 link do post
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