NO VAGAR DA PENUMBRA
28 de Janeiro de 2015

“As notícias da minha riqueza foram largamente exageradas”, disse ele, contestando a cifra de cem milhões. Nem um quinto disso, alegou. A repórter acha esta afirmação surpreendente, tendo em conta que só o património imobiliário (9 habitações, incluindo as dos filhos) ascende a cerca de 47 milhões, mas um porta-voz do ex-primeiro-ministro aponta para um valor a rondar os 15 milhões de dólares.

A estrutura empresarial que enquadra as suas actividades foi desenhada para, no limite da legalidade, garantir a “confidencialidade perante certas formas de escrutínio – especificamente dos media”, escreve Sarah Ellison na Vanity Fair. Empregando cerca de 200 pessoas, o seu melhor cliente é o JPMorgan Chase, que lhe pagará, ao que consta, cerca de 3 milhões de dólares por ano. Faz também serviço de consultoria para a seguradora Zurich (cerca de 750.000 dólares por ano de honorários) e presta aconselhamento a um fundo de investimento de Abu Dabi (milhão e meio de dólares por ano).

Seja a aconselhar o autoritário presidente do Cazaquistão, ou a intermediar fusões empresariais que lhe podem ter garantido “um milhão de dólares por três horas de trabalho”, Tony Blair não parece ser condicionado por percepções de conexões políticas indesejáveis, potenciais conflitos de interesses ou riscos reputacionais. E declara a Ellison que age a pensar no longo prazo e não “no jornal do dia seguinte”.

A sua acção política, nomeadamente a empenhada defesa da guerra do Iraque, teve como consequência que se lhe tivesse colado a etiqueta de mentiroso, simbolizada na inversão de letras que transformava Blair em Bliar. Robert Harris, escritor, ex-jornalista e ex-amigo dele, declarou à Vanity Fair: “A verdade é aquilo que ele percepciona ser em dado momento. Eu não acho que ele alguma vez tenha verdadeiramente – quer dizer – mentido. Ele convence-se no momento que está a dizer algo que é verdade”.

Sarah Ellison, cujo artigo brilhantemente intitulado The Which Blair Project tinha a ambição de descobrir como concilia Blair o seu “trabalho para regimes duvidosos e grandes empresas com as suas aspirações a uma liderança global” (no fundo o balanceamento entre a filantropia e a consultoria), ouviu-o sintetizar o objectivo da sua vida pública em torno da fé e da tolerância religiosas, e da boa governança, particularmente nos países africanos em vias de desenvolvimento. Porque, afirma ele, “o islão radical é o principal desafio que enfrentamos” e “um aspecto vital para contrariar esta ameaça é educar as pessoas desde tenra idade para respeitar o Outro”.

publicado por J.J. Faria Santos às 20:08 link do post
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