NO VAGAR DA PENUMBRA
05 de Agosto de 2015

Junte-se a silly season à mais desbragada propaganda eleitoral e obtém-se um híbrido disforme. Orgulhoso do seu PREC (Processo de Reforma em Curso) aplicado ao nosso “querido Portugal”(evocação vagamente norte-coreana), Passos Coelho gaba-se de estar a “lutar mais por Abril e pela liberdade do que tantos outros”. O homem comum que veio dos subúrbios para salvar Portugal da bancarrota, espicaçar os piegas e os preguiçosos, e pagar as dívidas, promete agora, como “objectivo de longo alcance” (longo pela ambição ou pela megalomania?), transformar Portugal numa “das dez mais competitivas economias mundiais”. Para já, parece querer apropriar-se de linguagem estranha à sua família política. Quem sabe? Talvez faça sentido para ele, este takeover semântico. Não foi no seu mandato que, como diria uma sua ministra, “acabou a impunidade” dos poderosos? E em que um baluarte do grande capital viu colapsar um império que reconstruíra no pós-25 de Abril? O verdadeiro PC garante das conquistas de Abril, sabemos agora, não é o Partido Comunista. É o Passos Coelho.

 

Já tínhamos notado que havia dissensão nas fileiras revolucionárias. E que Pacheco Pereira era considerado persona non grata e encarado como inimigo juramentado pela claque do farol liberal que nos guia. Com passos firmes e incansáveis. Terá origem nessa seita o cartaz que simulou uma candidatura de Pacheco Pereira às Presidenciais de 2016, pirateando uma sua imagem empunhando uma kalashnikov?
O visado chamou-lhe um “caso raro de propaganda negra”. O historiador, que considera que no PSD “houve uma clara deslocação à direita, violando programas e práticas identitárias, já para não falar do legado genético do seu fundador Francisco Sá Carneiro”, é defensor de uma oposição incisiva ao passismo, recusando embrulhar a falsidade num eufemismo delicado. “É que ele está mesmo a mentir”, escreve, referindo-se ao primeiro-ministro.
O cartaz é um tiro ao lado oriundo da frente inimiga. A palavra é a arma de eleição de Pacheco Pereira. Que ele usa implacavelmente para desmistificar contos de fadas, mitos urbanos, reformistas de pacotilha, irrevogáveis a bombar e cristãos-novos de Abril.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:03 link do post
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