NO VAGAR DA PENUMBRA
07 de Janeiro de 2017

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                                             Fonte: museu.presidencia.pt

 

“Fui homenageado, saudado, premiado, condecorado, distinguido, em nome de Portugal. Fui também, por vezes, apupado, injuriado, mal compreendido, atacado. Estes altos e baixos, sempre os considerei com alguma filosofia, distância e um certo sentido da realidade das coisas. Como ossos do ofício, também. Passei adiante.”

 

“Haverá momentos, quando se falar em liberdade e quando se valorizar esse bem inestimável, em que os historiadores talvez sejam levados a considerar que desempenhei algum papel na vida política portuguesa dos últimos anos. (…) A História tem uma enorme capacidade de digestão de acontecimentos e de pessoas e, um dia, pronunciar-se-á. Mas não definitivamente. Porque cada geração aportará o seu novo contributo a uma História que evolui e se aprofunda como o próprio homem, seu agente e objecto. E, não obstante esse relativismo, a grandeza da condição humana consiste em o aceitar, sem ilusões, e, mesmo assim, prosseguir sempre o bom combate, sem desfalecimento nem dramas.”

 

“Frei Bento Domingues, que tanto aprecio, escreveu: ‘Não há Deus em lado nenhum para quem se conforma com uma sociedade em que há uns à mesa e outros à porta.’ (…) A fé é uma graça divina – dizem os católicos – que não me foi, até hoje, concedida. Mas o mistério da fé – como o da morte – perturbam-me e comovem-me. Ainda que sejam exteriores à minha estrutura mental, de racionalista e agnóstico assumido.”

 

“Em abstracto, a morte afigura-se-me tão natural como a vida. É o seu contraponto necessário. Mas como aceitá-la, em concreto? Definitiva e irremediável?! E, no entanto, vai sendo tempo de começar a pensar nisso. Valerá a pena? Hesito…”

 

“Agradeço à vida – e, porventura, aos genes de que fui herdeiro – nunca, ao longo dos anos, me ter aborrecido, desanimado, ficado deprimido, entrado em stress. Não tenho nenhuma razão para me queixar, bem pelo contrário. Recebi muito mais da vida do que, pobre de mim, lhe terei dado. Devo tudo o que sou aos outros! Não tenho contas a ajustar com ninguém. Estou sereno, confiante, realizado, feliz. Amén!

 

Fonte: Soares – O Presidente de Maria João Avillez, edição Público, 1997

publicado por J.J. Faria Santos às 19:12 link do post
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