NO VAGAR DA PENUMBRA
17 de Abril de 2017

kim_trump-2.jpg

                                               Fonte: www.neogaf.com

 

“É bruto, ignorante, mentiroso, dado a fantasias, habituado ao bullying, sem princípios, moral ou vergonha, egocêntrico até ao limite.” Eis o retrato psicológico do Presidente dos Estados Unidos traçado por Pacheco Pereira no Público de sábado. O pretexto foi a necessidade de não deixar que a maneira genericamente favorável com que foi encarado o ataque à Síria faça esquecer os perigos de uma personalidade instável e errática.

 

Na New Yorker online, também Jeffrey Frank se indigna com o manto de carisma presidencial que subitamente enfeita os ombros de Trump, como se alguém tivesse carregado no “botão da amnésia nacional”. Frank, que recorda as palavras que ele proferiu em Novembro, poucos dias antes das eleições, em que censurava Hillary Clinton por alegadamente querer iniciar “uma guerra na Síria em conflito com uma Rússia com capacidade nuclear” e alertava para o risco de uma terceira guerra mundial, frisa que o que é sobremaneira preocupante é que Trump “não pensa nas consequências do que diz e faz”, e que nas suas acções não se consegue distinguir nem consistência nem um princípio orientador. E neste aspecto, conclui, não é diferente de Kim Jong-un.

 

O paralelo entre o Grande Sucessor da Coreia do Norte e o Presidente que quer tornar a América novamente grande já tinha sido objecto de considerações por parte do editor da Vanity Fair. Graydon Carter elencou as semelhanças no editorial da edição de Março: “Penteado manhoso? Confere. Fatos que assentam mal num corpo volumoso? Confere. Personalidade errática e instável? Confere. Maneira simplista de olhar o mundo? Confere. Vocabulário primitivo? Confere. Odeia um país a Sul? Confere. Não aceita qualquer contestação dos subordinados? Confere. Alta susceptibilidade e tendência para retaliar desproporcionadamente em relação aos críticos? Confere.”

 

Kim foi eleito em Setembro de 2016 com 100% dos votos na circunscrição que concorreu, das quase 700 divisões administrativas em que se divide o país. Claro que em cada uma delas só havia um candidato. Já Trump, num sufrágio que formalmente cumpriu as regras das democracias ocidentais e do primado da lei, ganhou confortavelmente no colégio eleitoral (o que era fundamental) mas perdeu no voto popular por uma margem ligeiramente abaixo dos três milhões de votos. A propensão para o exercício despótico do poder por parte de Trump estará teoricamente controlada pelos checks and balances do sistema político americano; Kim (e toda a sua patética legitimidade mitológica e dinástica) estará aparentemente controlado pela circunstância da sua dependência económica da China. Ainda assim, o poder absoluto deste último e a mistura alarmante de paranóia e exaltação do nacionalismo tornam-no um perigoso e imprevisível interveniente nos jogos de guerra.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 14:25 link do post
Abril 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
comentários recentes
Uma clarificação em resposta a interpelação do lei...
Bom dia, Mas do que li pelo menos das citações que...
blogs SAPO