NO VAGAR DA PENUMBRA
12 de Dezembro de 2017

img_marcelo_asa.png

 

Marcelo avisa. Marcelo alerta. Marcelo teme. E que teme Marcelo desta vez? Bom, parece que com o novo cargo de Mário Centeno, o Presidente receia que ele não consiga controlar o eleitoralismo da margem esquerda que apoia o Governo. Ou seja, acha que falta frenesim a Centeno para jogar em dois tabuleiros. Mas nos intervalos de proclamações ao estilo soundbite (“somos os nórdicos do século XXI”), o frenético PR vai-se entretendo a lançar nomes para a futura liderança do PSD (os presentes contendores não o entusiasmam…). Montenegro já não é o eleito. O novo golden boy é Carlos Moedas, porque, diz o Expresso, “encaixa na política mais cosmopolita e dos afectos”.

 

E por falar em Luís Montenegro. Não é que o ex-líder parlamentar afirmou que a eleição de Centeno para presidir ao Eurogrupo se deveu “também ao que Passos Coelho, Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque fizeram no quadriénio 2011-2015”? Citando Miguel Sousa Tavares, que ridicularizou este argumento, “há uma diferença entre perder mal ou perder transformando derrotas em vitórias de anedota”.

 

E por falar em Passos. O ex-primeiro-ministro vai escrever um livro sobre os anos do Governo. Uma coisa “muito factual” (nada de contaminar os relatórios técnicos com uma visão política mais permeável aos afectos. Excel Forever!). Esperemos que não constem na obra os célebres “factos alternativos” ao estilo da famigerada Kellyanne Conway… O que seguramente não teremos é…frenesim. Nem sequer na concepção da obra. O projecto não é para já. Para os mais ansiosos, resta esperar que as ideias para o tomo amadureçam em cascos de carvalho para evoluírem mais rapidamente.

 

O Politico diz que António Costa é a nona figura mais influente da Europa e vê-o como “um político duro atrás de um pronto sorriso de campanha”. Esperemos que esta dureza seja sinónimo de resistência, doutra forma seria difícil ultrapassar a sequência de faux pas que se sucederam à tragédia de Pedrógão Grande. Parece que este exemplar nórdico do século XXI, irritantemente optimista, consegue ser popular também na Europa, e sem grande frenesim. É que para Costa a popularidade de um político talvez seja como as reformas a aplicar num dado país: não existem na variedade “pronto-a-vestir” e devem ser feitas por medida, adequadas ao corpo da nação.

 

Imagem: www.flash.pt

publicado por J.J. Faria Santos às 20:43 link do post
Dezembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
26
28
29
30
31
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts mais comentados
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
comentários recentes
Uma clarificação em resposta a interpelação do lei...
Bom dia, Mas do que li pelo menos das citações que...
blogs SAPO