NO VAGAR DA PENUMBRA
15 de Setembro de 2015

Eu, Pedro Manuel Mamede Passos Coelho, abaixo assinado, sensível aos dramas nada piegas dos lesados do BES, que não merecem viver abaixo das suas possibilidades devido às tropelias do Grupo Espírito Santo, mas constrangido pelas inibições legais que impedem o Governo de actuar, visto que a solução para os problemas dos lesados, que são significativos, só pode ser encontrada pelos reguladores, e estes não se entendem, apelo veementemente a uma subscrição pública para ajudar os lesados deste pilar da velha ordem económica, cujo líder máximo está em prisão domiciliária (por favor, não vejam aqui nenhuma insinuação! Estou a falar do banqueiro…), a recorrer ao tribunal.

 

O Grupo Espírito Santo enganou muita gente. Nós dissemos, disse eu e o Presidente da República: uma coisa é o Grupo Espírito Santo, outra coisa é o banco. O banco está defendido. A defesa que o Banco de Portugal organizou para o Banco Espírito Santo foi posta em causa pelos seus administradores e eles vão responder em tribunal por isso. Uma vez que os reguladores não se entendem, era importante que as pessoas fizessem valer as suas razões junto dos tribunais.

 

Como disse a minha ministra, a impunidade acabou! A insuficiência financeira não pode significar a desprotecção jurídica. Se os chamados lesados do BES não tiverem meios para se fazer justiça existe sempre forma de o Estado garantir um recurso ao tribunal por parte de qualquer pessoa que não tenha rendimentos para ver fazer-se justiça no tribunal. E digo mais! Serei o primeiro subscritor e contribuinte, a título individual, não como primeiro-ministro, mas como cidadão, para ajudar pessoas que se encontram em grandes dificuldades a ir a tribunal.

 

Já reuni o Conselho Familiar. A decisão unânime da família foi aprovar a minha moção de promover a ajuda aos lesados do BES. Até a Peluche e a Olívia abanaram vigorosamente as caudas em sinal de aprovação. A forma e o montante da nossa ajuda serão definidos após um estudo rigoroso do orçamento familiar. É que eu não sou como os socialistas que não sabem fazer contas. E prometem o que não têm para dar.

 

Uma das modalidades possíveis para concretizar este apoio é o crowdfunding. O actual líder do PS já utilizou este mesmo mecanismo na sua campanha para a câmara de Lisboa (cujo mandato não concluiu), pelo que o facto de eu ponderar utilizar este mesmo procedimento mostra que não sou sectário e estou aberto a compromissos. Os meus assessores recordaram-me que a DECO, apesar de reconhecer méritos ao crowdfunding, associa a este modelo de financiamento vários riscos, entre eles o do branqueamento de capitais (não, não estou a fazer nenhuma referência velada ao meu antecessor…), mas isso não desqualifica esta forma de angariar capital.

 

Já vai longa esta minha exortação, mas como sabem eu gosto de me alongar em explicações minuciosas e claras, para que não restem dúvidas acerca das minhas convicções e das minhas intenções. Porque a verdade é que nunca usei a minha capacidade de intervenção para atingir um objectivo preciso de uma forma artificial que não tivesse que ver com a convicção que tinha quanto ao julgamento que fazia do que pensava do que defendia. Sempre afirmei aquilo em que acreditava.

 

(Embora seja um exercício de ficção, este post inclui declarações efectivamente proferidas por Pedro Passos Coelho reproduzidas a itálico.)

publicado por J.J. Faria Santos às 19:51 link do post
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