NO VAGAR DA PENUMBRA
11 de Abril de 2017

 

Logo a seguir à hipérbole da predisposição dos franceses para arriscar a vida em duelos e morrer por amor vem a constatação óbvia da preferência por alguém que sobreviva e ofereça jóias caras. Mesmo o reconhecimento de que o literal beija-mão pode denunciar classe e sofisticação ao estilo europeu precede a evidenciação de que tal gesto, ainda que aprazível, não paga a renda de um modesto apartamento. Daí a importância dos diamantes.

 

Depois vem a natureza e a condição humana. Se todos perdemos o encanto da beleza no fim da vida, os homens, diz-se na canção escrita por Jule Styne e Leo Robin, esfriam o seu ardor amoroso, tornam-se indiferentes à medida que as mulheres envelhecem. E ainda se torna mais premente a questão da segurança financeira se meditarmos na importância do índice bolsista: é quando ele desce que os “trastes voltam para as esposas”.

 

O tema Diamonds are a girl’s best friend celebrizado por Marilyn Monroe reúne algumas pérolas de senso comum com a celebração esfusiante dos méritos dos diamantes, onde até está presente a invocação de alguns santos padroeiros da joalharia. E não falta uma visão bem-humorada que, admitindo a rigidez das articulações ou a curvatura da coluna vertebral, afirma que na Tiffany’s há que aprumar a postura. Até porque a verticalidade é uma qualidade apreciada.

 

Soube-se recentemente que a Sotheby’s de Hong Kong vendeu um diamante de 59,6 quilates, conhecido pelo nome Pink Star, pela quantia de 71,2 milhões de dólares. A blonde star Marilyn Monroe, enquanto Lorelei Lee de Os Homens Preferem as Loiras, apreciaria sobremaneira esta Pink Star, uma pedra preciosa que não perde a forma. Está sempre em forma, portanto, a mão do tempo não a corrompe. Essa é uma maldição de um certo tipo de amantes, não dos diamantes.

publicado por J.J. Faria Santos às 20:05 link do post
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