NO VAGAR DA PENUMBRA
14 de Novembro de 2017

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A Associação dos Profissionais da Guarda já remeteu um “ofício para o comandante-geral da GNR a expor a situação”. O jornal O Mirante fala de uma questão “complexa que passa pela segurança dos próprios guardas e pelas dificuldades operacionais de vários postos”. Ao Observador (sem relação com o Mirante…), César Nogueira, presidente da citada associação, levanta a magna questão que Portugal não pode ignorar: “Se o ministro que nos tutela não cria condições para os guardas na sua própria residência, será que o vai promover no resto do país onde há situações ainda mais complicadas?”

 

O assunto que deveria ter dominado o ciclo noticioso e ocupado todos os fóruns (não fosse a Web Summit e a crónica falta de cidadania…) sintetiza-se da seguinte forma: os guardas que se ocupam da segurança da casa do ministro da Administração Interna tiveram de ser deslocados para o exterior da habitação porque os cães do governante ladravam furiosamente aos estranhos e não deixavam ninguém descansar. Os militares, que inicialmente não tinham sequer acesso aos sanitários, dispõem agora de “uma pequena casa de banho junto à piscina”, mas continuam sem local para uma “refeição quente”.

 

O jornal Público divulgou o perfil (“de aparência fofa e inofensiva”) e a identidade (“Simão Cão e Kiko Bardinas”) dos meliantes. Um caso exemplar de como as aparências enganam: os “fofos” começaram por ser agentes de poluição sonora e acabaram por ser responsáveis pela degradação das condições do exercício da profissão dos guardas, num inadmissível desrespeito pela autoridade do Estado. Claro que este episódio só aconteceu devido à incompetência e à irresponsabilidade da geringonça (reparem no silêncio cúmplice do deputado do PAN!), sendo de estranhar a apatia da oposição (porque não fala Assunção Cristas?). Felizmente que, dada a sua função da válvula de escape do regime e a sua agudíssima sensibilidade política, o senhor Presidente da República estará fortemente inclinado a exercer a sua magistratura dos afectos com avisos a tiracolo (não passa uma semana sem que os jornais informem que o PR fez um aviso ou transmitiu um recado…ao Governo, geralmente).

 

Inicialmente, Marcelo terá ponderado uma comunicação ao país. As funções de soberania do Estado são-lhe particularmente caras. Cães, que não são de guarda, a fazer gato-sapato de militares que cuidam da segurança de ministros e que, por causa da habitação se localizar numa “zona isolada” parecem eles próprios precisar de segurança, quiçá, de cães de guarda? Confuso? Não desesperem. Provavelmente, Marcelo já vai a caminho de Casal da Charneca, Santarém. Leva resmas de afecto e também uma cozinha de campanha. Mas esta última só será necessária se falhar o grande trunfo que ele detém: leva consigo o ilustre Asa, o pastor alemão que lhe foi oferecido pela Força Aérea, que vai servir de mediador e, se for preciso, intimidar, perdão, chamar à razão canina, o Simão e o Kiko.

publicado por J.J. Faria Santos às 20:09 link do post
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