NO VAGAR DA PENUMBRA
21 de Fevereiro de 2017

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                                                Fonte: imprensafalsa.com

 

Parece que o desencanto invadiu esse enclave de resistência do liberal luso que é o Observador. Desabafa Alberto Gonçalves (saneado do Diário de Notícias…) que desde que António Costa “abriu o regime à barbárie leninista que a nossa democracia prometia pouco. Hoje promete menos.” O pretexto para estes considerandos é o folhetim da CGD e a respectiva saga em busca da verdade escondida. Luís Montenegro fala em “boicote democrático” e Paulo Rangel já ressuscitou a “claustrofobia democrática”. Curiosamente, no enclave, Maria João Avillez escreve que se acha, e com ela o país inteiro, “devidamente informada sobre a mentira do ministro [o sonso doutorado em Harvard], as inabilidades de Domingues [esse paradigma da transparência que se dispõe a entregar meses de SMS], as manhas da geringonça [Belzebu, Lúcifer] e as incautas e exaustivas intromissões (…) do sempre histriónico Presidente da República. [colaboracionista!]”

 

Claro que nesta altura já toda a gente percebeu o que se passou. Desde as exigências do génio da gestão bancária e da sua inolvidável equipa (mesmo com alguns elementos a serem forçados a formação acelerada…) até à ligeireza e à informalidade com que o poder político procurou acomodá-las. Agora, para a direita ressabiada e revanchista, tornou-se imperioso marcar o ministro das Finanças (e quem sabe se mais alguém…) com o ferrete da mentira. Longe vai a preocupação com o sistema financeiro e o que poderiam pensar da instabilidade os mercados e as agências de rating. Agitam-se grandiloquências como a honra perdida do ministro (mesmo que a prova dos factos possa ser inconclusiva), a ditadura da maioria ou o totalitarismo (?). E um conselheiro de Estado vê-se perante um dilacerante dilema, um verdadeiro conflito de interesses, entre a amizade por um banqueiro e a lealdade institucional que deve a quem dispensa conselhos. Já o outro conselheiro de Estado tem um conflito mais prosaico, dividido que está entre a popularidade do Presidente e a sua própria popularidade, medida pelo share e pelo rating (não exactamente o da República…) sensíveis às cachas da Caixa.

 

Numa altura em que, para citar novamente uma voz do enclave, Helena Garrido, “se não fosse o caso da CGD estaríamos todos a festejar o fim de ano económico que tivemos, que ultrapassou as melhores expectativas”, e em que, consequentemente, “o Governo pode apresentar-se, sem margem para dúvidas, como um vencedor”, a insistência da oposição em prolongar a novela da CGD deriva deste sucesso julgado impensável. Luís Montenegro, em circunstâncias diferentes mas comparáveis, explicou bem em Março de 2015 esta dinâmica da oposição. Comentando a insistência da então oposição em pedir esclarecimentos a Passos Coelho acerca das suas dívidas à Segurança Social, Montenegro declarou que os deputados da oposição “nunca vão ficar suficientemente esclarecidos”. E explicou “Faz parte da dinâmica política que partidos da oposição tentem empolar ou mesmo aproveitar-se da situação”.

 

Marcelo bem pode passar a certidão de óbito à polémica da Caixa, e até decretar a impossibilidade da ressurreição, que o seu dilecto correligionário Luís Montenegro (o tal das “qualidades invulgares” a quem augurava “muitos sucessos políticos”) insiste no encarniçamento terapêutico, querendo à viva força reanimar o cadáver.

 

publicado por J.J. Faria Santos às 20:33 link do post
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