NO VAGAR DA PENUMBRA
28 de Maio de 2017

Purple_Travel.jpg

                                               Fonte: purpletravel.co.uk

 

“O noivo deve (…) evitar comparecer na cerimónia com ar de playboy hondurenho com sífilis, o que acontecerá se tiver a infeliz ideia de sair dire[c]tamente da despedida de solteiro num obscuro clube de strip para uma igreja toda iluminada.” E quanto à farpela? Bom, o colete só é aceitável se “o perímetro abdominal do noivo não o fizer parecer um pinguim suicida”. Estes inestimáveis conselhos são espraiados logo no segundo parágrafo do imperdível e hilariante texto de Bruno Vieira Amaral Como sobreviver à cerimónia de casamento, publicado na edição de Maio da GQ portuguesa.

 

A selecção dos convidados é apresentada como uma tarefa altamente delicada, onde o bom senso, o tacto diplomático e o carácter abrangente são fundamentais para evitar conflitos que “só serão sanados no próximo funeral”. Quanto à escolha da música, o autor desengana os que anseiam pelos Pearl Jam, os Radiohead ou Leonard Cohen; tudo acabará com um icónico tio a “liderar a marcha ferroviária do Apita o Comboio e [a] anunciar, com todo o entusiasmo alcoólico, que gosta de chupar os peitos da cabritinha”.

 

Também não vale a pena esperar do banquete uma celebração gastronómica com requintes de gourmet, onde se conjugariam a elegância dos modos com a frugalidade da degustação, pois é certo e sabido que “uma festa de casamento é uma celebração boçal da quantidade, da abundância e do excesso”. E por falar em festa, o menino dança? Bom, para os menos dotados, Bruno Vieira Amaral recomenda umas aulas e também “inspiração divina para que os convidados não fiquem a pensar que sofres de alguma doença generativa”.

 

No final do dia, previsivelmente, o noivo (nas também a noiva) estarão à beira da exaustão. A exibição a mata-cavalos da felicidade é cansativa. O álcool contribuirá para a lassidão com o seu efeito de relaxamento. Previne o autor: “Bebe o suficiente para te desinibires, mas não regridas a um estado só aceitável para quem tem 18 anos e está num hotel de terceira categoria em Torremolinos”.

 

E quanto aos prazeres carnais, Bruno Vieira Amaral antevê que os esponsais, fruto da fadiga da jornada, “mais do que prazeres escandalosos, experimentarão a paz do repouso merecido”, e sugere que adiem “as acrobacias e o sexo aeróbico para a lua-de-mel”.

publicado por J.J. Faria Santos às 15:48 link do post
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