NO VAGAR DA PENUMBRA
22 de Abril de 2015

A dada altura, numa cena do filme Cosmopolis de David Cronenberg, Juliette Binoche desabafa para Robert Pattinson: “A vida é demasiado contemporânea”.

Eis uma síntese apropriada da condição da vida moderna. Na verdade, tenho com frequência a sensação de que vou ser atropelado pelo futuro, ou permanecer na estação a vê-lo passar. Convencido de estar aberto à novidade e à inovação, dou comigo, estupefacto, a exclamar angustiado (mas não muito…): “Socorro! Serei conservador!?”.

Sobretudo a overdose de propostas de gadgets, a galopante oferta de tecnologias de futuro (ou de um futuro de tecnologias), a febril necessidade de actualizações de toda a sorte, despertam em mim um intuitivo movimento de resistência. Acho preferível que cada um de nós absorva o futuro com alguma moderação. Que não descartemos o que de válido adquirimos em nome de um deslumbramento passageiro ou de uma necessidade induzida.

É, provavelmente, uma questão de ritmo. Sempre achei que o frenesim, embora proporcionando uma ilusão de intensidade, travava a fruição.

publicado por J.J. Faria Santos às 20:57 link do post
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